Publicado 06 de Outubro de 2020 - 12h25

Por AFP

Os chefes da diplomacia dos Emirados e de Israel se encontraram pela primeira vez na tarde desta terça-feira (6) no Memorial do Holocausto em Berlim, um encontro simbólico que marca uma nova etapa no processo de normalização entre os dois países.

O ministro israelense, Gabi Ashkenazi, e seu colega dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah ben Zayed Al-Nahiyane, cumprimentaram-se na presença do alemão Heiko Maas, no monumento na capital alemã que recorda o genocídio judeu pelos nazistas.

Em seguida, os dois ministros caminharam pelo labirinto de aproximadamente 2.700 blocos de concreto de todos os tamanhos que simbolizam a aniquilação de seis milhões de judeus pelo regime de Adolf Hitler.

Os dois homens trocaram algumas palavras e assinaram seus nomes no Livro de Ouro do Memorial.

O ministro dos Emirados escreveu "Never again", "Nunca mais" em inglês, de acordo com uma foto postada no Twitter por um diplomata israelense.

"Nossa presença aqui simboliza o início de uma nova era", escreveu Ashkenazi em hebraico, celebrando "uma era de paz entre os povos".

"Nossa assinatura comum no Livro da Memória é como um grito e um juramento: lembrar e não esquecer, ser forte e prometer "nunca mais"", também escreveu.

Os três ministros deveriam então fazer uma declaração conjunta.

Maas considerou "uma grande honra que os ministros das Relações Exteriores de Israel e dos Emirados Árabes Unidos tenham escolhido Berlim como local de seu primeiro encontro histórico".

O ministro alemão considerou o acordo entre Israel e os Emirados Árabes Unidos "a primeira boa notícia no Oriente Médio em muito tempo e uma oportunidade para retomar o diálogo entre israelenses e palestinos".

"Esta oportunidade deve ser aproveitada", declarou, expressando a vontade da União Europeia em ajudar.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu assinou em 15 de setembro com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein acordos históricos denunciados pelos palestinos, sob mediação de Donald Trump, que esperava aparecer como um "pacificador" antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Esses dois países árabes são os primeiros a reconhecer Israel, fundado em 1948, após Egito e Jordânia, em 1979 e 1994, respectivamente.

Os Emirados e Bahrein, monarquias sunitas, compartilham com o Estado judeu uma animosidade contra o Irã xiita, o inimigo número um de Washington na região.

Muitos países árabes ricos em petróleo cultivam discretamente há anos laços com as autoridades israelenses, mas essa normalização oferece ricas oportunidades, especialmente econômicas.

Os palestinos denunciaram uma "facada nas costas" por parte desses países acusados de fazer um pacto com o Estado judeu sem esperar o nascimento de seu Estado.

Escrito por:

AFP