Publicado 06 de Outubro de 2020 - 10h23

Por AFP

Armênios e azerbaijanos continuam os combates pelo controle da região separatista de Nagorno-Karabakh, com a Turquia conclamando o mundo a apoiar o Azerbaijão, apesar dos pedidos de trégua e do número de vítimas civis.

Contra a maré da comunidade internacional, o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, em visita a Baku nesta terça-feira (6), pediu "apoio" ao Azerbaijão, um país de língua turca que Ancara tem incentivado desde o reinício das hostilidades em 27 de setembro pela conquista militar de Nagorno-Karabakh.

Ele questionou abertamente a utilidade de um cessar-fogo: "O que acontecerá depois, a Armênia vai se retirar imediatamente dos territórios do Azerbaijão?".

Esta visita ocorre depois que Paris, Moscou e Washington, mediadores deste conflito desde os anos 1990, descreveram a crise como "uma ameaça inaceitável à estabilidade da região".

Uma escalada pode ter consequências imprevisíveis, dado o número de potências concorrentes no Cáucaso: Rússia, Turquia, Irã e os ocidentais.

Baku e Yerevan se acusaram nos últimos dias de aumentar deliberadamente os bombardeios em áreas urbanas habitadas, em particular na capital dos separatistas, Stepanakert, e na segunda cidade do Azerbaijão, Gandja.

Jornalistas da AFP viram muitas casas destruídas por foguetes em ambos os lados e recolheram testemunhos sobre isso.

Nesta terça-feira, o porta-voz do Exército armênio anunciou que 21 combatentes de Karabakh foram mortos nos combates durante o dia, sem dar mais detalhes.

A calma reinava, no entanto, pela manhã em Stepanakert. Aproveitando esse descanso, os moradores saíram de seus abrigos para estocar alimentos. Outros, para constatar os danos, às vezes impressionantes.

Já Gaïane Sarkissian, uma professora de 42 anos, decidiu deixar a cidade com seu filho e sua mãe de 64 anos.

"A sirene soou duas vezes esta manhã. Houve duas explosões na periferia por volta das nove horas. Não sei o que foi. Nos abrigamos e decidimos ir embora", disse ela, a caminho da Armênia.

Em um comunicado matinal, o Ministério da Defesa do Azerbaijão afirmou ter infligido "pesadas perdas de vidas e equipamentos militares" ao adversário e "forçado-o a se retirar".

O presidente da autoproclamada República de Karabakh, Arayik Haroutiounian, assegurou, porém, que seu Exército "cumpriu com sucesso suas tarefas", acrescentando que "está tudo sob controle".

No décimo dia de combates, nenhum dos lados parece ter ganhado uma vantagem decisiva sobre o outro.

Habitada principalmente por armênios cristãos, Nagorno-Karabakh se separou do Azerbaijão, um país xiita, após a queda da URSS. Esse movimento levou a uma guerra no início da década de 1990 que deixou 30.000 mortos.

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