Publicado 05 de Outubro de 2020 - 20h23

Por AFP

Os confrontos entre as forças separatistas armênias de Nagorno Karabakh e o exército azerbaijano continuavam nesta segunda-feira (5), fazendo Rússia, França e Estados Unidos pedirem um "cessar-fogo imediato e sem condições".

Nesta segunda-feira, a presidência de Nagorno Karabakh indicou que as tropas separatistas se retiraram de "alguns setores da frente" por razões "táticas".

"Para evitar especulações, quero enfatizar que em alguns setores do front, com um objetivo tático, o exército retirou soldados para evitar perdas inúteis e causar mais danos ao adversário", disse o porta-voz presidencial Vahram Poghossian no Facebook.

O ministério das Relações Exteriores de Karabakh anunciou que sua capital, Stepanakert, com 50.000 habitantes, foi alvo de "intensos lançamentos de foguetes" durante a manhã.

De acordo com uma testemunha entrevistada pela AFP, a cidade sofreu três horas de bombardeio e muitos moradores decidiram sair. Os demais se escondem nos abrigos. Muitos edifícios são danificados ou destruídos, em dois dias de ataques.

França, Rússia e Estados Unidos, membros do chamado Grupo de Minsk, consideraram nesta segunda-feira que os ataques contra civis em Nagorno Karabakh são uma "ameaça inaceitável à estabilidade da região".

Os "ataques contra instalações civis" e o seu "carácter desproporcional" constituem "uma ameaça inaceitável à estabilidade da região", alertaram os chanceleres dos três países que integram este grupo mediador do conflito.

Mike Pompeo (Estados Unidos), Jean-Yves Le Drian (França) e Sergei Lavrov (Rússia) "condenam nos termos mais veementes a escalada de violência sem precedentes e perigosa que ocorreu dentro e fora da zona de conflito do Alto Karabakh", enfatizou a nota.

Eles novamente pedem um "cessar-fogo imediato e incondicional" e exortam o Azerbaijão e a Armênia a "se comprometerem a partir de agora a retomar o processo de negociação".

Mais tarde, o presidente russo, Vladimir Putin, também pediu um cessar-fogo "imediato" durante uma conversa por telefone com o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinian, no nono dia de combates entre separatistas armênios e o exército do Azerbaijão, anunciou o Kremlin em uma afirmação.

De acordo com a Armênia, os ataques nas zonas urbanas do Azerbaijão foram retomados nesta segunda-feira. O assessor presidencial do Azerbaijão, Hikmet Hajiyev, postou um vídeo no Twitter, supostamente gravado no mercado central de Ganyá, e denunciou um ataque "com o objetivo de causar vítimas civis".

De acordo com os balanços oficiais, os bombardeios, principalmente com foguetes, mataram quatro pessoas na autoproclamada república de Nagorno Karabakh e cinco no Azerbaijão. Também há relatos de muitos feridos.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também condenou os "bombardeios indiscriminados".

Centenas de casas e infraestruturas importantes como hospitais e escolas foram destruídas ou danificadas, de acordo com o CICV.

Em Goris, última cidade da Armênia antes de Karabakh se organizava a distribuição de víveres para os deslocados.

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