Publicado 05 de Outubro de 2020 - 18h55

Por AFP

Ao menos 17 pessoas, entre elas um líder da oposição, ficaram feridas em enfrentamentos com a polícia em Bishkek, capital do Quirguistão, quando milhares protestaram contra os resultados das eleições parlamentares de domingo.

A tropa de choque da polícia usou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes na véspera, constatou um jornalista da AFP.

Dezenas de manifestantes escalaram as grades que protegem a sede do governo, enquanto outros milhares se reuniram para protestar os resultados que favorecem dois partidos próximos ao presidente, Sooronbai Jeenbekov.

Essas eleições foram marcadas por possíveis compras de votos, de acordo com observadores internacionais.

Cinco partidos que não conseguiram alcançar nenhuma cadeira organizaram esses atos de protesto em diferentes locais da cidade. Alguns pediam a organização de novas eleições.

Os partidos próximos ao presidente pró-Rússia Jeenbekov, dominaram as eleições neta ex-república Soviética da Ásia central, conhecida por praticar certo pluralismo, mas frequentemente afetada por crises políticas.

"As eleições legislativas quirguizes correram bem no geral e os candidatos puderam fazer suas campanhas livremente. Mas as alegações confiáveis de compra de votos suscitam sérias preocupações", disse Thomas Boserup, chefe da missão da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa), que foi observar as eleições.

Os partidos Birimdik e Mekenim Kirghizstan, favoráveis a uma maior integração de Bishkek na União econômica euroasiática patrocinada por Moscou, obtiveram cada um 25% dos votos, com 98% dos votos contados.

O Birimdik tem em suas fileiras o irmão caçula do presidente, enquanto o Mekenim Kyrgyzstan está sob suspeita de representar os interesses do clã de Rayimbek Matraimov, um ex-funcionário que foi alvo de protestos por corrupção em 2019.

O partido pró-presidencial, Kirghizstan, se manteria no Parlamento com mais de 8% de votos. Outros dois partidos, um nacionalista e outro fundado por um ex-primeiro-ministro, esperam para saber se superaram o limite de 7% para ter representação.

Por outro lado, três partidos que não conseguiram alcançar este limite organizaram duas manifestações nesta segunda-feira, uma reuniu algumas centenas de pessoas e a outra vários milhares.

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