Publicado 05 de Outubro de 2020 - 9h43

Por AFP

O último sobrevivente espanhol conhecido dos campos nazistas, Juan Romero, morreu aos 101 anos na França - anunciou o governo espanhol, descrevendo-o como um "herói".

"Juan Romero, o último sobrevivente espanhol do campo de concentração de Mauthausen, faleceu. Minha memória para um herói do nosso país que lutou contra o fascismo, pelas liberdades e em defesa da democracia. Um abraço para seus familiares e amigos", declarou o presidente socialista do governo espanhol, Pedro Sánchez, neste domingo (4) no Twitter.

Romero morreu na França, onde vivia, disse a número dois do governo, Carmen Calvo.

A associação Amical de Mauthausen e outros Campos e de Todas as Vítimas do Nazismo da Espanha confirmou à AFP que Romero era "o último sobrevivente espanhol conhecido" dos campos.

Romero nasceu em Córdoba em 1919 e lutou no lado republicano durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), segundo o jornal "El País".

Foi deportado em agosto de 1941 da França para Mauthausen, na Áustria, e voltou à França apenas depois da Segunda Guerra Mundial, quando a Espanha ainda estava sob o regime de Franco.

Em sua fuga da Espanha após a vitória de Franco, os republicanos se juntaram na França à companhia de trabalhadores estrangeiros e à legião estrangeira.

Mas, em 1940, quando os nazistas invadiram a França, foram capturados pelos alemães, que os consideravam apátridas, e mais tarde foram deportados.

Em agosto passado, quando obteve o "reconhecimento" do Estado espanhol, Juan Romero falou à imprensa sobre "toda as pessoas que entravam nas câmaras de gás", ou sobre "os carros cheios de mortos".

"De acordo com nosso histórico, ele era o último espanhol" sobrevivente dos campos, disse Juan Calvo, historiador e membro da Amical de Mauthausen, sem descartar, porém, que possa haver "outras vítimas espanholas que mantiveram essa informação em privado".

"Já restavam poucos sobreviventes nesses últimos anos. Com sua morte, desaparece a voz dos que puderam testemunhar ao vivo", acrescentou.

O historiador disse que, dos quase 9.000 deportados espanhóis, 7.000 foram enviados para Mauthausen, um campo no qual cerca de 90.000 deportados morreram.

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