Publicado 15 de Setembro de 2020 - 5h30

Há poucos dias, durante um evento realizado em São Paulo, assim meio que do nada, um grupo de jornalistas começou a disparar comentários “ácidos” sobre a novela A Dona do Pedaço e seu autor, Walcyr Carrasco. Ficavam se perguntando, por exemplo, como um Marco Nanini recebia “aqueles textos”. Mas chamou atenção também o fato que todos conheciam Vivi Guedes, Josiane, Chiclete, Rock e companhia bela. Como se observa, apesar do grande sucesso de audiência, o trabalho deste autor está muito longe de ser unanimidade. Mas resolve, e os índices, painel nacional, estão aí para comprovar. Hoje, sem medo de errar, é possível até afirmar que qualquer emissora gostaria de ter um Walcyr nas suas fileiras, apesar das discordâncias. Ao mesmo tempo em que o texto de A Dona do Pedaço apresenta boas situações, também empurra diálogos quase infantis. A trama da filha que rejeita o pai gay é ótima, mas as falas da menina são rasas. Não se coloca dedo nas feridas. O caso envolvendo a temática trans é outro ponto fora da curva — muito distante da abordagem de Glória Perez em A Força do Querer. E o núcleo do Nanini constrange. Um grupo de atores daquele tamanho merecia melhor sorte. De tudo isso, talvez falte ao Walcyr encontrar um meio termo. Quem sabe na próxima.