Publicado 14 de Setembro de 2020 - 19h05

O Viva sabe muito bem como alimentar o saudosismo de seus assinantes. Depois de reprisar novelas e programas de sucesso da história da Globo, o canal está investindo alto em produções que celebram a televisão e suas estrelas de forma documental. Nos últimos anos, séries especiais como Damas da TV, Viver do Riso e Donos da História foram além do simples entretenimento e serviram como depoimentos de profissionais relevantes para a posteridade. Agora, o canal direciona sua verve documental para uma das grandes paixões dos noveleiros de plantão: as vilãs. Dividida em 10 episódios, a série As Vilãs que Amamos se propõe a revisitar clássicos da tevê brasileira, relembrar personagens icônicas e homenagear antagonistas que marcaram a memória do público.

Acertadamente, o criador e roteirista Hermes Frederico inicia toda essa história pelo lado malvado do ser com a icônica Odete Roitman, de Beatriz Segal.

Vilã criada por Gilberto Braga e Aguinaldo Silva para Vale Tudo, de 1988, foi com a personagem que os autores conseguiram abordar o classicismo selvagem de um Brasil redescobrindo a democracia. Com nojo de tudo que tivesse brasilidade, Odete foi tão forte que acabou limitando a atuação da boa atriz que a falecida Beatriz era. Essa é a principal lembrança do time de atrizes, autores e diretores arregimentados pelo Viva para enaltecer as vilanias do papel. A partir do segundo episódio, a produção recebe convidadas do porte de Fernanda Montenegro, Lília Cabral, Susana Vieira, Claudia Abreu, Eva Wilma, Nathália Timberg, Cássia Kis, Marieta Severo, Lea Garcia, Laura Cardoso, Joana Fomm, Glória Menezes, Renata Sorrah, Gloria Pires e Adriana Esteves, para revisitarem as personagens maléficas que já viveram na ficção. Com resultados sempre muito ligados aos desempenhos das atrizes, As Vilãs que Amamos cresce ainda mais quando as convidadas entregam boas histórias de bastidores e as dores e delícias de viver tais papéis.

Ao relembrar Laura de Celebridade e Chayene de Cheias de Charme, por exemplo, Cláudia Abreu exibe franqueza ao dividir com o público os problemas enfrentados com os filhos em casa para dar conta de personagens tão grandes. Já Lília Cabral recorda que foi a partir das vilãs de novelas de Manoel Carlos que começou a deixar os trabalhos secundários de lado e passou a ser escalada por outros autores para personagens de mais destaque. Aliás, falando em Manoel Carlos, um dos episódios mais divertidos é o de Susana Vieira relembrando a exagerada Branca de Por Amor. Com sua usual verborragia, a atriz revela sua insatisfação em ser a antagonista da recente Os Dias Eram Assim apenas pela personagem ser de direita e apoiar a ditadura militar. Por fim, Cássia Kis impressiona ao falar sobre sua fama de “difícil” nos bastidores de tramas como Barriga de Aluguel e Porto dos Milagres, onde a atriz assume que o peso do papel pode influenciar no humor das atrizes ao longo da exibição. Divertido e recheado de curiosidades, As Vilãs que Amamos vai além do autoelogio e descortina grandes talentos da tevê. A série é apresentada aos sábados, às 19h, no Viva. (Da TV Press)