Publicado 12 de Setembro de 2020 - 19h05

Jonas Bloch usa a maturidade a seu favor. Do alto de seus 80 anos, 50 dedicados à televisão, ele aprendeu, entre altos e baixos, a importância de garantir autonomia artística. Depois de anos preso a contratos com emissoras, o ator vive desde 2015 a liberdade de fazer apenas o que quer. Atualmente, tem trafegado com desenvoltura pelo cinema e pelo teatro, investido cada vez mais em sua porção de artista plástico e se diverte ao reencontrar amigos e conhecer novos talentos nos bastidores de Bom Sucesso, onde vive o estrategista Eric. “Hoje em dia, se não for interessante, nem saio de casa. Por isso, prefiro ser contratado por obra e diversificar cada vez mais os personagens e as áreas de atuação.”

Mineiro de Belo Horizonte, Jonas estreou na tevê em Algemas de Ouro, sucesso exibido pela extinta Tupi em 1969. Com passagens pela Manchete, Band e SBT, foi na Globo e na Record que o ator desenvolveu grande parte de sua carreira. Na primeira, ganhou popularidade a partir de novelas como Sem Lenço e Sem Documento, Pai Herói e Top Model. Aos poucos, viu os bons personagens minguarem e resolveu assinar com a Record, em 2006, onde atuou em tramas como Bela, A Feia e José do Egito. “Contrato é como um casamento. A gente faz trabalhos legais e outros nem tanto”, ressalta, entre risos. De volta à Globo em Sete Vidas, Jonas tem se surpreendido com os convites que vem recebendo na emissora. “Acho que nunca trabalhei tão feliz na Globo. E ainda tenho tempo para fazer outras coisas fora sem qualquer pressão. Então, está tudo certo”, celebra.

Política é um tema recorrente no discurso de Jonas Bloch. Para o ator, a TV é um veículo importante para retratar o que acontece na sociedade e é exatamente por isso que o ator tem tanto orgulho de ter integrado o elenco de Se Eu Fechar os Olhos Agora, minissérie baseada no livro do jornalista Edney Silvestre, onde deu vida a Tadeu, um Bispo católico envolvido na morte que centraliza a história. “Meu personagem, por exemplo, era um sujeito envolvido em diversas armações que sustentavam a elite local. É uma sociedade de duas caras, onde os poderosos dizem uma coisa e fazem outra. Engraçado que é uma série de época, mas que tem muito do Brasil de hoje.”

Para o ator, a desesperança que toma conta do país atualmente é acompanhada de um “despertar” da população, que em plena polarização entre ideias de esquerda e direita, percebe que pouca coisa mudou. “É só olhar para o congresso brasileiro. O povo trocou muita gente de lá achando que iria melhorar alguma coisa. Saiu um monte de canalhas sim, mas não teve o efeito esperado. Em compensação, acho que agora está todo mundo mais ligado. As respostas e indignações estão mais rápidas”, acredita.

Um dos maiores sonhos de Jonas Bloch é contracenar com a filha Débora em alguma obra de teledramaturgia. O encontro já aconteceu no teatro e na publicidade, mas ele espera ansiosamente que possa trabalhar com a rebenta em um estúdio de tevê. “Seria uma honra tão grande. Tenho um respeito e orgulho enorme pela trajetória da minha filha”, coloca.

O encontro quase aconteceu em Sete Vidas, novela de 2015 que marcou a volta de Jonas ao elenco da Globo. No entanto, os personagens Lígia e José Renato acabaram não se encontrando na história de Lícia Manzo. “Fica aí meu pedido para os autores: façam uma cena para mim e para a Débora. Nunca pedi nada a vocês!”, ressalta, entre risos. (Da TV Press)