Publicado 22 de Setembro de 2020 - 19h05

Lee Taylor vive uma espécie de dicotomia. Por trabalhar na televisão, atualmente como o Camilo de A Dona do Pedaço, tem a sua imagem exposta para milhares de pessoas. Mas, ao mesmo tempo, é discreto. O ator pouco fala sobre sua vida pessoal e não está interessado em fama. Para ele, o que importa é dar voz aos personagens que interpreta. Mesmo assim, garante que lida bem com o inevitável reconhecimento nas ruas. “Era algo com o qual eu não estava acostumado, mas imaginava que poderia acontecer. As pessoas me abordam no mercado, mas não fiquei espantado”, conta.

Na novela de Walcyr Carrasco, Lee vive um delegado que, por muitos anos namorou Vivi Guedes, personagem de Paolla Oliveira. Os dois ficaram noivos, mas Camilo descobriu a traição da amada e a humilhou no altar, na frente de todos. “Eles se conheceram na escola, mas se tornaram pessoas bem diferentes porque, no meio do caminho, Vivi se tornou uma ‘digital influencer’ e eles passaram a ter atritos por conta de suas visões diferenciadas”, explica.

Desde o início da novela, inclusive, o personagem deixou escapar várias vezes em seu discurso a sua forma machista de pensar. A possibilidade de viver um papel com essa característica é importante para Lee. “Só vale a pena fazer personagens que levem a gente repensar a vida ou que nos ampliem enquanto seres humanos. É uma questão atual e que precisa ser discutida”, analisa.

O machismo de Camilo é daquele tipo que permeia o dia a dia de quase todo mundo e está arraigado na nossa cultura. Por isso, o ator optou por uma construção mais sutil de personagem. “Tenho tentado fazer isso com sensibilidade para que não fique um machismo estereotipado, para mostrar que está nas entrelinhas, na sutileza”, salienta.

Apesar de não encontrar muitos pontos de semelhança com Camilo, Lee assume que ainda existe um caminho longo a se percorrer quando o assunto é machismo. “Na novela, meu personagem não é daquele tipo que bate em mulher, mas tem aquele machismo velado, que ninguém percebe. Acredito que, nesse ponto de vista, todos nós somos um pouco machistas”, afirma.

Cria do teatro, Lee resolveu experimentar a linguagem da televisão há relativamente pouco tempo. Não por falta de oportunidades. Desde 2007, o ator recebe convites para produções da Globo, mas só 10 anos depois, em 2017, ele topou fazer Velho Chico. “Achei que o momento adequado seria quando eu tivesse concluído algumas etapas no teatro”, justifica. Desde então, Lee tem conquistado espaço no veículo com tranquilidade. Depois de Velho Chico, integrou o elenco de Onde Nascem Os Fortes e chamou atenção na série O Mecanismo, da Netflix. “São personagens com que me identifico pouco, mas que me expandem como ser humano”, observa. (Da TV Press)