Publicado 18 de Setembro de 2020 - 5h30

Professores da rede pública e particular de Campinas realizaram ontem à tarde um protesto contra a volta às aulas, prevista pela Prefeitura para ocorrer a partir de 7 de outubro. Também ontem, o Conselho Municipal de Educação rejeitou o protocolo de retorno às aulas determinado pela Secretaria Municipal de Educação.

Segundo os conselheiros, não seria possível manter as regras previstas no protocolo, como distanciamento, higiene de banheiros e salas e interação dos alunos. A avaliação contempla escolas da rede municipal. A Prefeitura, por outro lado, garantiu que os protocolos sanitários foram elaborados pela secretaria de Saúde e amplamento discutidos pelo Comitê Covid e poderão ser respeitados durante as aulas.

A manifestação dos professores foi em frente à Diretoria de Ensino Campinas Oeste, no bairro São Bernardo. Eles assinaram um manifesto e vão entregar às diretorias estaduais de Campinas e à Prefeitura um pedido de suspensão do retorno às aulas neste ano, junto com um abaixo-assinado.

O ato contou com um grupo de aproximadamente 150 pessoas e só não foi com maior número de manifestantes porque os organizadores decidiram evitar aglomerações com medidas de distanciamento, uso de máscaras e aplicação de álcool em gel, dentre outras prevenções.

Pedro Oliveira, diretor estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e coordenador da Central Sindical e Popular de Campinas (CSP-Campinas), explicou que o retorno, neste momento, é uma medida irresponsável, pois Campinas ainda apresenta altos índices de mortes e contágio e para toda a comunidade escolar, é fundamental que haja uma vacina segura para evitar ampliação do número de casos. "Em todos os locais no mundo que voltaram a ter aulas, houve aumento de casos. É nossa tarefa construir a luta em defesa da educação pública e da vida de todos da comunidade escolar", disse.

Oliveira lembrou que a taxa de contaminação ainda é alta, mesmo com a redução nos gráficos de mortes e casos. "Com a volta às aulas, aumenta o contágio porque envolve milhares estudantes, professores, diretores, pessoal de manutenção e pessoas do suporte e do transporte", comentou.

A professora Tatiana Kapor reclamou da falta de respeito e investimentos na Educação para que haja um retorno seguro e adequado. Segundo ela, falta também estrutura mínima para higiene e álcool em gel, dentre outras medidas.

Citou também as demissões do pessoal de limpeza de empresas terceirizadas. Matheus Pereira, representante da Juventude estudantil, defende o retorno apenas quando houver uma vacina.

Respeitar a opinião dos pais, lembrou Ana Carolina Fultaro, é fundamental. Pesquisas feitas pela Prefeitura mostraram que a grande maioria é contra o reinício das atividades presenciais. Paula Pavan destacou que é fundamental haver um ensino remoto democrático, para que todos tenham o direito neste período de aulas sem a presença física de professores e alunos nas escolas.

Rede particular prevê a adesão de 80% das escolas

Ao menos 80% das escolas particulares de Campinas deverão retomar as atividades presenciais curriculares a partir do dia 7 de outubro na cidade. Pelo menos, essa é a expectativa do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieesp), que acredita que mais de 240 dos cerca de 300 colégios privados do município reabrirão. Atualmente, a rede particular conta com 43 mil alunos matriculados. De acordo com a entidade, todas as unidades estão preparadas desde o mês de julho para atender os estudantes.

Na última segunda-feira, o prefeito Jonas Donizette (PSB) autorizou o retorno das atividades presenciais nas escolas da rede particular e estadual do município a partir do dia 7 de outubro. O retorno será facultativo e os colégios que decidirem por retomar terão que seguir as regras de distanciamento, aferição de temperatura e, uso de equipamentos individuais de segurança, como máscara e álcool gel.

Já a rede municipal de ensino retomará as aulas na mesma data apenas para os estudantes do 5 e 9 anos do ensino fundamental. Os alunos do infantil e do Ensino Fundamental não terão as atividades presenciais retomadas neste ano. Além disso, Jonas também liberou a retomada das aulas presenciais para os cursos profissionalizantes e a Escola de Jovens e Adultos (EJA).

Para o presidente do Sieeesp, Benjamim Ribeiro da Silva, a retomada das aulas já deveria ter sido aprovada há muito tempo. Segundo ele, em outros países que foram vítimas da pandemia a suspensão durou menos. "O Brasil é o único país do mundo que está há mais de 200 dias sem aula. É um absurdo isso. Aqui, infelizmente, a educação não é levada a sério. Tem países como o Japão que as escolas nem fecharam", disse.

Na avaliação do presidente, o risco de infecção pelo novo coronavírus dentro das escolas particulares é muito baixo. "Risco sempre tem, mas é muito menor do que no supermercado ou no restaurante", garantiu. "Os colégios vão trabalhar com o mesmo protocolo que é avalizado pela Associação Paulista de Medicina. Foram feitos treinamentos com os professores, mudou-se o layout das escolas e elas adquiriram equipamentos de desinfecção e EPIS. A escola está pronta para voltar", pontuou.

Ainda de acordo com Silva, a volta das atividades também será benéfica do ponto de vista psicológico. "Essa volta será importante, sobretudo, para as crianças menores de oito anos, que poderão voltar a ter um convívio social", destacou ele. "E precisa ocorrer logo, porque as crianças não podem mais ficar sofrendo em casa", ressaltou. (Henrique Hein/Da Agência Anhanguera )

Soluções para a crise são contempladas por prêmio

A Coca-Cola acaba de lançar a 5 edição do edital Ideias para um Mundo Melhor, que este ano destinará R$ 500 mil para projetos sociais de ONGs que apresentem soluções com potencial para minimizar os impactos da pandemia nas comunidades onde a companhia está presente.

Campinas e Sumaré são novamente municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) contemplados pela iniciativa, que nos últimos cinco anos já destinou R$ 1,250 milhão a projetos alinhados aos pilares de sustentabilidade da companhia.

Para incentivar o maior número de inscrições de projetos, a companhia vai oferecer, em parceria com a ONG Parceiros Voluntários, instituição sem fins lucrativos que dissemina a cultura do trabalho organizado, cursos de capacitação voltados para a elaboração de projetos, metas e indicadores, além de conceitos de inovação e ferramentas digitais. Este ano, cada cidade poderá receber aportes de até R$ 50 mil, a serem distribuídos entre os projetos selecionados.

Além de Campinas e Sumaré, as cidades que poderão inscrever projetos são Bauru, Jundiaí, Marilia e Mogi das Cruzes (SP), Antônio Carlos (SC), Porto Alegre (RS), Maringá e Curitiba (PR), Itabirito (MG) e Campo Grande (MS).

Os interessados em participar da edição 2020 podem se inscrever pelo site http://ideiasmundomelhorposcovid.com.br/ até 23 de setembro. Os cursos de capacitação estarão disponíveis a partir do dia 1 de outubro e serão divulgados em breve. (AAN)

Campinas contabiliza 125 novos casos e 13 mortes

Campinas confirmou ontem 125 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas e mais 13 mortes. Os números foram divulgados no começo da tarde pela secretaria de municipal de saúde. Assim, a cidade atinge a marca de 31.177 pessoas infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia, em março. Destes,1.163 morreram. A secretaria ainda investiga 599 casos suspeitos, além de outros 18 óbitos.

Segundo o órgão, Campinas conta hoje com 317 pessoas internadas com Covid-19 e outras 29 estão em isolamento domiciliar. A secretaria contabiliza 29.406 pessoas recuperadas da doença até agora.

Das 13 pessoas que tiveram as mortes registradas nas últimas 24 horas, sete eram homens e seis mulheres. Todas as vítimas tinham as chamadas comorbidades - que são doenças associadas. Do total dessas vítimas, sete tinham mais de 60 anos. Entre os não idosos, estava uma mulher de 28 anos.

Campinas contava ontem com 283 leitos de UTI exclusivos para pacientes com Covid-19 nas redes pública e particular. Deste total, 179 estão ocupados, o que corresponde a 63,25%. Há 104 leitos livres somando as redes pública e particular.

No SUS Municipal, dos 131 leitos exclusivos para a Covid-19, 87 estavam ocupados até ontem, o que equivale a 66,41%. Há 44 leitos livres. No SUS Estadual, que envolve o AME e o Hospital de Clínicas da Unicamp, dos 63 leitos exclusivos, 35 estão ocupados, o que corresponde a 55,56% de taxa. Há 28 leitos vagos. (Da Agência Anhanguera)