Publicado 17 de Setembro de 2020 - 5h30

Tensão, dúvidas, ameaças e ação social marcaram a manhã de ontem dos moradores da Invasão Nina, no Jardim Boa Esperança, em Hortolândia. Após o incêndio que destruiu um total de sete barracos, os moradores acusam a Prefeitura de forçar a ida das famílias afetadas para um abrigo, em uma escola. Porém, a comunidade se reuniu e conseguiu doações para manter as famílias no local. Funcionários da Administração foram ao local da ocupação, que é uma Área de Proteção Permanente (APP ), com máquinas e teriam ameaçado efetivar a reintegração da área. Para evitar que todos fossem desalojados, os moradores fecharam a Rua do Martim Pescador, que acessa a ocupação. O protesto durou quatro horas e após negociações não houve acordo. A área foi reocupada em janeiro deste ano e acolhe 500 famílias, segundo a coordenação do acampamento.

Segundo os moradores, os funcionários municipais ameaçaram a retirada à força. A medida seria uma espécie de retaliação ao fato de as famílias que foram afetadas pelo incêndio, se recusarem a ir para o abrigo, oferecido pelo município. “As famílias não querem sair daqui, pois a comunidade fez um mutirão para ajudá-los a reconstruir suas moradias”, disse uma das lideranças da ocupação, Cristiane de Souza Carapie. Segundo ela, no local vive cerca de 500 famílias, algumas há, pelo menos, sete anos. Na noite da última segunda-feira, um incêndio, supostamente criminoso, atingiu sete barracos. Ninguém ficou ferido, mas as famílias perderam tudo.

Para impedir a entrada das máquinas, os moradores fecharam a rua com brinquedos de crianças como pula-pula e cama elástica e também realizam uma ação social, com corte de cabelo e outros serviços. O objetivo era chamar a atenção da sociedade e afastar do local os funcionários da prefeitura. Houve uma negociação após quatro horas de protesto. As sete famílias afetadas deixariam o local, mas eles não aceitaram porque teriam de arcar com algumas despesas. Não houve acordo entre as partes.

Em nota, a Prefeitura de Hortolândia informou que o incêndio ocorreu em uma Área de Preservação Permanente (APP), onde havia uma reocupação, com cerca de 25 pessoas. Ainda conforme o órgão, a Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social forneceu a elas alimentação, roupas e colchões e alguns desses itens também foram doados por terceiros. Ainda segundo a Prefeitura, as secretarias levaram os moradores para Escola Municipal de Ensino Fundamental José Roque de Moura, que fica próxima ao local do incêndio e as pessoas foram cadastradas no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para que consigam dar entrada e fazer as novas vias dos documentos perdidos.

A Secretaria de Habitação informou que a APP foi reocupada no final de janeiro deste ano e que na ocasião orientou e informou às pessoas que não é permitido morar em uma APP. “Para não as deixar desassistidas, técnicos da Habitação conversarão com elas para avaliar, caso a caso, a concessão de auxílio-aluguel e cadastro em programas habitacionais. Famílias que estavam em outras ocupações na região já foram atendidas”, frisou. (Alenita Ramirez/Da Agência Anhanguera)