Publicado 11 de Setembro de 2020 - 19h05

Quatro cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão sem registros de novas mortes por Covid-19 há mais de sete dias. Engenheiro Coelho, que tem 645 infectados pelo novo coronavírus desde o início da pandemia, soma 12 mortes, sem novos óbitos há 13 dias. Artur Nogueira, com 13 mortes, não tem novos registros há 12 dias. Morungaba também não tem mortes por Covid-19, há nove dias, e Itatiba há oito, segundo boletins epidemiológicos das prefeituras.

O fato de serem cidades menores pode explicar, segundo o cientista social Joaquim Mendonça, o baixo registro de mortes em relação às cidades médias e grandes. "Nas pequenas cidades, é mais fácil conseguir adesão da população às medidas de prevenção contra o coronavírus. Além disso, as prefeituras têm condição de fazer testagem de todos os sintomáticos, mesmo os leves, e iniciar tratamento, evitando assim o agravamento da doença", afirmou.

Santo Antonio de Posse chegou a ficar sem óbitos por 22 dias, mas no sábado recebeu comunicação de uma morte de um morador da cidade em Brasília, e essa semana não teve mais registros. A cidade soma cinco mortes desde o início da pandemia. O prefeito Norberto Oliverio avalia que a política de testagem adotada na cidade tem sido eficaz na identificação de infectados. "Estamos conseguindo identificar os pacientes logo no início dos primeiros sintomas, e com isso isolamos o paciente e a família", afirmou. Além disso, segundo ele, pelo menos 98% da população usam máscaras, o que colaborado para evitar novos casos de Covid-19. A cidade tem 565 casos confirmados, com cinco mortes, uma taxa de letalidade de 0,8%.

Em Engenheiro Coelho não há registro de mortes desde 27 de agosto e, segundo a diretora da Vigilância em Saúde, Marli Antunes, um dos motivos para a cidade registrar baixa letalidade (de 1,8%) está na testagem das pessoas que apresentam os primeiros sintomas e no tratamento precoce dos infectados. A cidade tem 645 casos confirmados de Covid-19 desde o início da pandemia e 12 mortes.

Em Artur Nogueira não há mortes pelo novo coronavírus há 12 dias — a cidade tem 782 casos e 13 mortes. Já em Morungaba, que soma 132 casos confirmados e quatro mortes, sem novos registros desde 31 de agosto, o prefeito Marcos Antonio de Oliveira (PSD), que já foi infectado pelo novo coronavírus, atribui a baixa letalidade da Covid-19, de 3%, ao trabalho da vigilância em saúde e às medidas de isolamento social que foram adotadas desde o início da pandemia. "Estamos com grande adesão da população aos protocolos de enfrentamento da doença, com uso de máscaras e medidas de higiene, e também estamos testando quem apresenta sintomas, mesmo que sejam leves", afirmou.

Já em Itatiba, não há novos registros de mortes há oito dias. A cidade tem, segundo a Prefeitura, 23 óbitos e 1.051 casos desde o início da pandemia.

Boletim confirma nove vítimas fatais

A Prefeitura de Campinas atualizou ontem os números do novo coronavírus na cidade. Em 24 horas, nove óbitos pela doença foram confirmados, o que eleva o total de vítimas fatais para 1.107. Também foram anunciadas mais 286 confirmações da doença. Assim, o município totaliza 29.913 pessoas infectadas pela Covid-19 desde o início da pandemia, em março.

Segundo o boletim de ontem, há, ainda, 606 casos aguardando confirmação dos exames — 16 a mais em comparação ao boletim anterior — e 58.342 casos foram descartados (263 a mais). Outros 11 óbitos estão em investigação (4 a menos).

Nos hospitais de Campinas, 300 pacientes estão internados com Covid-19 — seis a menos em comparação a quarta-feira -, 340 cumprem isolamento domiciliar (132 a mais) e 28.166 pessoas

já se recuperaram da doença (151 a mais).

Das nove vítimas, cinco eram mulheres e quatro delas tinham mais de 60 anos de idade. Apenas uma das vítimas, uma mulher de 59 anos, não possuía outras doenças associadas, as chamadas comorbidades. (Da Agência Anhanguera)

Cientistas brasileiros testam spray nasal contra o vírus

Cientistas da USP e da Unicamp estão desenvolvendo uma vacina por spray nasal contra a Covid-19. A vacina traz diversas vantagens em relação ao método injetável, incluindo a atuação direta na mucosa nasal, que é uma das principais portas de entrada do novo coronavírus no organismo humano. Dessa forma, a perspectiva é que aconteça a eliminação do vírus já no canal de entrada. A vacina está em fase de testes pré-clínicos, em camundongos, e segue para a etapa de escalonamento da produção, realizada na Unicamp.

O escalonamento da produção, conforme a professora Laura de Oliveira Nascimento, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp, que encabeça esse processo, é o momento em que se busca testar se a vacina, desenvolvida em escala laboratorial, pode ser produzida em maior escala, processo que é essencial quando se pretende lançar comercialmente. "Existem hoje diversas formulações de vacinas eficazes publicadas e em escala laboratorial. Mas nós sabemos que o escalonamento nem sempre é viável e por esse motivo diversas vacinas não são comercializadas, por não serem escalonáveis", elucida.

O Correio questionou como está o andamento, mas a assessoria do Hospital de Clínicas da Unicamp informou que novas informações só serão disponibilizadas quando a fase da Unicamp for encerrada. (FLN/AAN)