Publicado 25 de Setembro de 2020 - 13h31

Por Agência Anhanguera de Notícias

Vista geral da exposição 'Trama Incomum': título remete às lonas e tecidos bordados e pintados, muitas vezes, de forma coletiva nos ateliês

Divulgação

Vista geral da exposição 'Trama Incomum': título remete às lonas e tecidos bordados e pintados, muitas vezes, de forma coletiva nos ateliês

Fechado desde março deste ano devido à pandemia do coronavírus, o Instituto Pavão Cultural, em Barão Geraldo, retoma parcial e, por ora, virtualmente, suas atividades com a exposição Trama Incomum, realizada em parceria com o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. Serão exibidas obras do acervo do Museu Vivo Cândido Ferreira produzidas pelos usuários da instituição a partir da década de 1990, ainda no âmbito do hospital psiquiátrico, até os dias atuais, em ateliês de arte ou como parte da terapia domiciliar.

A mostra será aberta em dois dias, apresentando virtualmente o show de voz e violão Águas de Dentro, dos músicos Guga Costa e Breno Lopes, gravado semana passada no Pavão, com inserção de clipes de vídeo-dança criados por Hellen Audrey e Raquel Gouvêa, dialogando com o espaço e as obras. O show será transmitido pelos canais do Pavão no Youtube e no Facebook. Nesta sexta, 25, às 15h, será exibida uma versão pocket, seguida de uma conversa com o público sobre a exposição, pela plataforma Zoom (link para a sala fornecido via chat durante a apresentação). No sábado será transmitido o show completo, às 20h, igualmente seguido de bate-papo via Zoom para os interessados.

Os arquitetos Teresa Mas e Mario Braga, gestores do Pavão que assinam a curadoria junto com a artista visual Cecília Stelini, do Museu Vivo Cândido Ferreira, chamam a atenção para o valor não apenas artístico, mas documental, do projeto. "Esse acervo faz parte da história do processo de luta antimanicomial e da busca de um tratamento solidário, afetivo e inclusivo aos portadores de sofrimento mental, luta essa em que o Cândido é referência para todo o Brasil”, comenta Teresa.

Trama Incomum traz lonas pintadas em grandes formatos, paninhos bordados “muito pequenos e delicados”, retratos impressos em tecido e retrabalhados com materiais diversos pelos próprios retratados, máscaras grafitadas e envelopes desenhados com poesia. “São obras produzidas por cerca de 40 artistas. O número não é exato pois há trabalhos feitos a muitas mãos e por pessoas de quem se perdeu o contato”, diz Braga.

Durante as transmissões será solicitada uma contribuição financeira dos espectadores, que poderá ser feita em ambiente seguro e certificado, por meio de QR Code e transferência bancária. “Em ambos os dias faremos uma introdução sobre a exposição e a importância desse apoio para a nossa manutenção, das oficinas do Cândido, e também para a remuneração dos músicos, nesses tempos tão difíceis para a cultura”, explica Teresa.

As obras poderão ser conferidas em imagens e vídeos curtos que o Pavão divulgará em suas redes sociais ao longo do período da mostra, que vai até 21 de novembro de 2020. Um vídeo de visita mediada por arte-educadora sobre Trama Incomum foi gravado com todo o conteúdo da exposição.

Nas semanas seguintes, sempre às quartas-feiras, às 15h, haverá uma série de rodas de conversa entre artistas e profissionais da saúde promovidas pelo Pavão com participação virtual do público, que abordarão, entre outros temas, arte e o contexto da saúde mental; trabalho dos atelieristas de espaços de saúde mental; luta antimanicomial; Museu Vivo e memórias do Cândido Ferreira. As condições para as inscrições serão divulgadas nas redes sociais do Pavão.

As visitas presenciais ocorrerão de forma agendada, assim que a cidade entrar na fase verde do plano de retomada, que permitirá a abertura de espaços expositivos com circulação maior, informa Mário Braga. "Receberemos, então, no máximo 20 pessoas ao mesmo tempo, o que corresponde a 25% da nossa capacidade. O espaço permanecerá com as janelas abertas para ventilação natural, será obrigatório o uso de máscaras e o teste de temperatura na entrada. Serão disponibilizados todos os itens de higiene recomendados pelas autoridades, bem como a comunicação visual interna lembrando a todos das precauções a serem tomadas”, garante.

Trama Incomum

O título da mostra foi proposto a partir do recorte selecionado do acervo do Museu Vivo Cândido Ferreira, constituído principalmente por obras em lonas e tecidos, pintados e bordados e feitas, muitas vezes, de forma coletiva nos ateliês de arte da entidade. Remete também ao histórico das artes de usuários de serviços de saúde mental no País.

Os curadores explicam que obras produzidas por usuários de serviços de saúde mental são categorizadas e reconhecidas no mundo das artes como Art Brut. “Esse conceito, ainda que controverso, foi apresentado em 1945 pelo artista Jean Dubuffet”, informa Teresa. Christian Berst, galerista francês especializado nessa arte comenta: “Essas obras sem um destinatário claro são produzidas por personalidades que vivem na alteridade - seja mental ou social. Suas produções ora nos remetem à metafísica da arte - isto é, ao impulso criativo como tentativa de elucidar o mistério de estar no mundo - ora à necessidade de reparar este mundo, de curá-lo, de torná-lo habitável”.

AGENDE-SE

O quê: Mostra coletiva Trama Incomum

Quando: Hoje, às 15h; amanhã, às 20h

Onde: Canais do Pavão no Youtube (http://bit.ly/youtube_pavao) e no Facebook (www.facebook.com/pavaocultural), seguida por bate-papo com o público via Zoom

Quanto: Contribuição espontânea a partir de XX

Mais informações: https://pavaocultural.org/trama-incomum https://pavaocultural.org/trama-incomum

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