Publicado 22 de Setembro de 2020 - 12h09

Setembro traz consigo o perfume das flores misturado à fumaça dos dias quentes e secos, embalando atividades ainda tímidas, em clima de quem está tendo cuidado consigo e com os outros, devido à pandemia que ainda persiste e deixa marcas de dor e de medo.

Para os cristãos católicos romanos no Brasil, esse mês é também para aprofundar o estudo e exercitar o hábito de fazer orações com a Palavra (Bíblia) no âmbito pessoal e comunitário, descobrindo qual a vontade de Deus e aprendendo com as experiências contidas nesse Livro Sagrado. O texto dentro de um contexto.

As flores constituem sinais de vida, alegria e esperança. Lembra-se também nesse período a campanha de prevenção ao suicídio, que tem sido causa de preocupação nas grandes, médias e pequenas cidades do país e do mundo. Como compreender a vida com seus altos e baixos? Como encarar a morte como consequência da vida e não como solução de problemas e situações difíceis a serem enfrentadas? Como valorizar a vida, para que a morte não seja um atrativo nem uma fuga, mas simplesmente o curso natural da existência?

A vida é como uma bela flor vicejante ofertada pelo próprio Deus para se realizar grandes coisas. O medo da Covid 19 tem contribuído com a perda dos belos sinais que podem abrir os olhos da alma e do coração para que, assim como o perfume escondido, mas presente, possa ser experimentado e sentido. A essência humana é divina na participação do mistério da Encarnação de Jesus (cf. Jo 1,14). Por isso, a vida que deve estar acima de tudo e de todas as iniciativas promotoras do bem, do cuidado e do olhar além de nós será valorizada.

A pessoa que trabalha com flores exala o perfume que delas vem. Que se perceba o suave perfume do amor que Deus tem por cada pessoa. Que se perceba que o perfume do amor é capaz de tirar os maus odores que fazem o mundo retroceder. Que se perceba tal perfume nos esforços para humanizar as relações, no cuidado para com o Planeta, nossa Casa Comum, no dizer do Papa Francisco. Até quando sujar, despejar óleo ou produtos químicos nas praias e reservas ambientais? Até quando não ter o saneamento básico para todos? Por que o racismo que devora vidas? Por que não a vacina do amor nas seringas do bem querer?

Que a Bíblia seja muito mais que uma coletânea de livros, que seja uma inspiração, para que se vejam as luzes que a cada dia Deus envia à humanidade, chamada a espalhar o vírus da solidariedade, da tolerância, da partilha, do equilíbrio nos afetos que tornam cada pessoa única e exclusiva aos olhos do Pai Misericordioso.

Padre Paulo Emiliano – Paróquia São Francisco de Assis – Indaiatuba.SP

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