Publicado 25 de Setembro de 2020 - 6h53

Conforme o informado, prometido, aguardado, sonhado, na semana passada, enquanto a crônica era publicada, estava eu em terras das Minas Gerais, no pequeno paraíso chamado Bueno Brandão. A propriedade excede todas as expectativas e, depois de quase seis meses de confinamento, poder ter a família perto, compartilhar refeições e rir a bandeiras despregadas, pois tudo é motivo, traz a vida de volta.

Falando em vida, quando no primeiro dia, deitado numa espécie de sofá de nome francês, "futon" se não me engano, olhava o horizonte espetacular, fui surpreendido com a inesperada visita de um ser dono da mais pura elegância!

Era uma siriema que recebeu muito apropriadamente o nome de Gisele, em homenagem à nossa célebre modelo. A criatura caminhava pé ante pé pelo gramado olhando tudo atentamente, como se estivesse cumprindo uma missão.

Estou contando tudo isso porque pagamos um "mico", como se diz hoje em dia, e ainda bem que a siriema não soube da história. A coisa foi assim. Não cansávamos de admirar a ave e, em dado momento, vimos uma outra, caminhando perto, menor e com menos enfeites. Era justamente aí que morava o "mico"! A menor era a fêmea e a enfeitada era o macho! Fico imaginando a reação do tal se soubesse que estava sendo chamado de Gisele! Tomamos às devidas providências e mudamos seu nome para Tom Brady, o marido da Gisele original.

Quando voltamos é que percebemos que estávamos ainda em plena pandemia e consequente quarentena! A reunião com gente que a gente gosta é ainda impossível. Não adianta sonhar com um chope gelado, num fim de tarde, numa roda de amigos!

Embora não adiante, estou sonhando! Sonhando com uma reunião na beira da piscina, saboreando um churrasco preparado por meu genro Ricardo, que se revelou um mestre na função!

Sonhando com uma feijoada, na qual o mestre sou eu, meu cunhado Jorjão, pode no máximo empatar! O grande caldeirão rodeado de pessoas queridas e famintas, a mesa enorme cheia de complementos deliciosos, mas, o mais importante: gente!!! Família, amigos, as crianças, todos reunidos diante do sagrado dever de dar conta de uma suculenta feijoada!

Sonho também com as mesas do City Bar! Sobre elas a cerveja estupidamente gelada e os bolinhos de bacalhau de que só J. Santos tem a receita. Sonho com uma mesa no Voga com seus pasteis e churrasquinhos que já viraram lenda! Os croquetes, as famosas rolhas do Giovannetti, naquela unidade do Largo do Rosário, também povoam meus sonhos!

De tanto sonhar, acabo sonhando até com coisas que não existem mais. As montanhas de salgados nos balcões do velho Bar Ideal, os camarões empanados do Torre de Pisa! Primeiro no Centro e depois no Castelo!

Sonho acordado com o La Costilla em Joaquim Egydio, com boa comida e Arazil Buzon soltando a voz com toda a sua imensa categoria!

São tantos os sonhos que estou elaborando uma lista do que vai, assim que possível e se possível, ser transformado em realidade!

Sonho com tanto, mas, me conformaria com tão pouco... Só um café, coado no coador de pano do Café Regina! Ao lado, Pádua, meu amigo e confrade na Academia Campinense de Letras e Antonio Contente, meu colega de escritos e amigo de alma, em quem preciso com urgência dar o primeiro abraço de toda a vida.

Então, na verdade, o grande sonho é um café! Só um café...

José Roberto Martins é professor, jornalista e membro da Academia Campinense de Letras