Publicado 19 de Setembro de 2020 - 13h01

Por Francisco Lima Neto/AAN


Divulgação

Uma família de Campinas está fazendo campanha para encontrar um doador de medula óssea compatível para realizar o transplante que pode pôr fim ao sofrimento da filha de apenas 10 anos. A menina faz tratamento no Hospital Boldrini desde 2017, mas a doença progrediu e é preciso um transplante.

De acordo com a mãe, Adriana Tambasco Piccolo, professora, de 47 anos, em 2017, quando tinha apenas 7 anos, a pequena Mariana Tambasco Piccolo, a Mari, foi diagnosticada com Leucemia Linfóide Aguda (LLA). "Ela começou a ter febre, perdeu apetite e peso. Fizemos os exames, ela ficou internada três dias no Hospital Centro Médico e já foi encaminhada para o Boldrini", conta Adriana.

Rapidamente, o tratamento foi iniciado. "Foram oito meses de tratamento intenso com quimioterapia. Depois dois anos fazendo manutenção, que é uma quimioterapia mais leve, de forma oral e injetável", explica.

O tratamento terminou no último mês de junho, quando foi realizado um exame que detectou que a doença estava em remissão. "Aí todo mês tem que fazer exame. Em julho estava tudo ok. Mas um pouco antes da consulta de agosto ela começou a ter dor nos ossos da perna e também nas costelas ao respirar. Foi feito exame numa segunda-feira, na terça já sabíamos que a doença tinha voltado e na quarta já voltou ao tratamento, que agora é mais pesado", diz.

"A doença dela voltou muito rápido, então, o médico explicou que precisa de transplante de medula óssea porque só a quimioterapia já não resolve", diz.

A Mari tem um irmão de 13 anos, mas ele não é compatível. "O médico disse que o ideal seria que em janeiro de 2021 ela já estivesse fazendo o transplante porque a medicação é muito forte e desgasta muito o corpo. Ela ficou até internada esses dias atrás, mas agora está em casa, graças a Deus", relata.

Devido à urgência do transplante, a família está fazendo uma campanha para encontrar um doador compatível. De acordo com o Ministério da Saúde, a chance de encontrar um doador compatível é de 1 a cada 100 mil. "É muito difícil encontrar. É uma corrida contra o tempo. Por isso a gente está fazendo essa campanha de divulgação. Mesmo se não servir para ela vai servir para outras pessoas porque muita gente precisa", argumenta.

"O processo é simples, retira 10 ml de sangue para entrar no cadastro. Se tiver compatibilidade com alguém aí é chamada para os demais exames. Meu apelo é que é um tipo de doação que a pessoa faz em vida e é a única chance de uma pessoa. Quem doa salva uma vida e depois de 15 dias a medula doada já está reposta", diz a professora.

Quanto mais pessoas se cadastrarem nos hemocentros mais chance as pessoas que necessitam do transplante têm de encontrar um doador compatível. "Por isso, faço apelo para que as pessoas procurem os hemocentros. Vai ajudar muita gente", diz.

A professora tem família em Casa Branca e em santa Cruz das Palmeiras. Os parentes de lá conseguiram que o Hemocentro de Ribeirão Preto fosse até a cidade para cadastrar doadores. "No último diz 10 foi realizado cadastro no salão paroquial e uma igreja. Formou até fila, 210 pessoas se cadastraram. Nesse momento de pandemia assim como as doações de sangue, as de medula também diminuíram", conta.

No próximo dia 10 haverá outro cadastramento em Casa Branca e no dia 24 acontecerá em Santa Cruz das Palmeiras. "Eu estou muito feliz que as pessoas estão se mobilizando, é uma grande benção e a gente mantêm a fé", diz.

Saiba Mais

Leucemia linfóide aguda é um tipo de câncer do sangue e da medula óssea que afeta os glóbulos brancos. É um dos cânceres mais comuns na infância. Ocorre quando uma célula de medula óssea desenvolve erros no seu DNA. Os sintomas podem incluir aumento dos gânglios linfáticos, hematomas, febre, dor óssea, sangramento da gengiva e infecções frequentes.

Cadastro nacional

De acordo com o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), o transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. Além disso, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 25% das famílias brasileiras – para 75% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores voluntários.

As informações dos pacientes que necessitam de transplante sem um irmão compatível são incluídas no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme). Os doadores são cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Os dados dos dois registros são cruzados para verificar a compatibilidade entre pacientes e doadores. Essa busca é automática.

É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros localizados em todos os estados do País.

Dia Mundial do Doador de Medula Óssea

O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea é comemorado sempre no terceiro sábado de setembro. Em 2020, a data será celebrada neste sábado (19) de setembro com histórias de doadores e pacientes, vídeos de plataforma de mídia social e outras ideias inovadoras. Com o tema “Este ano, nossos heróis usaram um novo disfarce”, o Redome pretende divulgar as histórias dos doadores brasileiros durante a pandemia de Covid-19.

No dia 6 de outubro é comemorado o Dia Nacional do Doador de Medula Óssea, data que chama atenção e incentiva a todos a se tornar um doador voluntário.

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Francisco Lima Neto/AAN