Publicado 13 de Setembro de 2020 - 10h13

Por Francisco Lima Neto

Sede da Federação das Entidades Assistenciais de Campinas: instituição lançou questionário em junho

Cedoc/RAC

Sede da Federação das Entidades Assistenciais de Campinas: instituição lançou questionário em junho

Queda nas arrecadações, diminuição das doações e de captações de recursos, interrupção de projetos e um cenário de incertezas. Esses são alguns temas apontados pelas Organizações da Sociedade Civil (OSC) durante a nova pesquisa realizada pela Fundação FEAC, com representantes de 66 instituições de Campinas. De acordo com o levantamento, 52% das entidades tiveram queda das doações individuais e 55% delas tece drástica redução da captação de verbas por meio de bazares e outros eventos.

O objetivo do estudo O Impacto da pandemia nas OSC de Campinas foi mensurar os efeitos gerados pela pandemia do novo coronavírus na oferta dos serviços, atendimentos e ações junto ao público atendido e comunidade, na sustentabilidade financeira destas OSC durante e pós-pandemia. Também mostra as expectativas futuras pós-pandemia para a continuidade das ações das instituições, a partir das novas demandas apresentadas pela população.

A pesquisa surgiu porque a Feac começou a observar que com a pandemia as desigualdades sociais nos territórios de maior vulnerabilidade começaram a se agravar. “Elas tiveram de parar de atender por causa da pandemia. A gente queria entender como o não atendimento estava impactando na população. A gente sabe, por exemplo, que 100% delas fizeram distribuição de alimentos, que é uma das principais demandas”, explica Ana Lídia Manzoni Puccini, Líder de programa na Feac.

O estudo abordou os temas Identificação das OSC; Atuação das OSC durante a pandemia; Sustentabilidade econômica; e Perspectivas pós-pandemia. O questionário foi aplicado em junho.

Impacto da pandemia

De acordo com a Feac, as populações que vivem em territórios de vulnerabilidade social são as mais impactadas pela pandemia, seja pelo alto índice de desemprego ou pelo agravamento de situações de violações de direitos já existentes, devido ao isolamento social. Desta forma, as OSC inseridas em territórios onde o poder público não chega, são a única forma de acesso às políticas públicas e direitos.

Questionadas sobre o funcionamento durante a pandemia, 61% das OSC apontam atendimentos e contatos parciais e pontuais com seu público, 21% apenas com atendimentos remotos e apenas 6% apontam que as OSC não estão prestando nenhum tipo de atendimento.

Já sobre as ações que as instituições estão conseguindo realizar nesse momento de pandemia, 77% delas estão distribuindo alimentos e outros produtos de higiene e limpeza para toda a comunidade na qual estão inseridas, independente da família ser atendida ou não na OSC. As ações de conscientização e prevenção da Covid-19 são realizadas por 65%. A distribuição de alimentos e outros produtos apenas para as famílias já atendidas foram apontadas por 45% delas.

Para 89% dessas entidades, o principal impacto gerado pela pandemia é a diminuição da renda da população, seguida por desemprego (80%) e falta de acesso à alimentação (70%).

Uma das questões relevantes é relacionada à saúde mental das pessoas neste momento de pandemia, representado por 56% das organizações que apontaram o aumento de casos de depressão como um dos grandes problemas enfrentados pela população em situação de vulnerabilidade. Outra situação alarmante relacionada à violação de direitos provocada pela pandemia é o aumento de situações de violência intrafamiliar, apontada por 35% das entidades que responderam.

Sustentabilidade econômica

A pesquisa revela que diante da atual crise sanitária, as instituições tiveram impactos que atingem diretamente a sua sustentabilidade financeira, uma vez que com a crise, parte dos doadores cessaram suas contribuições.

Segundo a pesquisa, 52% das OSC informaram que as doações individuais diminuíram, bem como para 55% delas a captação de recursos próprios, como bazares, eventos, aluguéis, também teve uma drástica redução.

Com relação à continuidade do atendimento, o cenário é de incertezas, já que 33% responderam que ainda não sabem por quantos meses terão recursos para operar sem diminuição do número de atendimentos e atividades ofertadas e sem demissão de pessoal. Enquanto 58% ainda não sabem dizer por quantos meses terão recursos para operar.

Escrito por:

Francisco Lima Neto