Publicado 23 de Setembro de 2020 - 11h13

Por Maria Teresa Costa


Cedoc / RAC

Campinas chegou a 14 candidatos a prefeito nas eleições de novembro, com a divulgação, nesta semana, da candidatura de Edson Dorta (PCO), aprovada na convenção do último dia 13. Será o maior número na disputa ao Palácio dos Jequitibás desde 1988, quando ocorreram as primeiras eleições municipais no País, após o fim do regime militar que teve início em 1964.

Desde 1988, Campinas teve apenas um prefeito escolhido por eleição indireta. Pedro Serafim foi prefeito interino entre 21 de outubro e 3 de novembro de 2011 e, em 10 de abril, foi eleito de forma indireta, pela Câmara, para um mandato-tampão de oito meses, após as cassações do prefeito Hélio de Oliveira Santos e do vice-prefeito, Demétrio Vilagra.

Quem for eleito em novembro, será o 18º prefeito de Campinas desde 1947, escolhido pelo voto – antes disso, os prefeitos eram intendentes nomeados. Dos 18, seis cumpriram dois mandatos – Vicente Cury, Ruy Novaes, Francisco Amaral, José Roberto Magalhães Teixeira, Helio de Oliveira Santos e Jonas Donizette.

Quatro eram vice-prefeitos – Arlindo Joaquim de Lemos, Nicolau Maselli, Edvaldo Orsi e Demetrio Vilagra -- que assumiram a Prefeitura após renúncia, morte ou cassação dos titulares e dois eram presidentes da Câmara –, José Nassif Mokarzel assumiu quando Francisco Amaral renunciou para se candidatar a deputado federal e o vice, Magalhães Teixeira decidiu também concorrer à Câmara Federal; Pedro Serafim foi eleito pela Câmara após cassação do prefeito Helio de Oliveira Santos e do vice, Demetrio Vilagra.

Nas eleições de 1988, que elegeu Jacó Bittar (PT), oito concorreram ao Palácio dos Jequitibás. Em 1992, foram sete candidatos e o eleito foi José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB). Na eleição seguinte, em 1966 concorreram sete nomes e Francisco Amaral foi eleito. Em 2000, quando Antonio da Costa Santos (PT) se elegeu, 11 concorreram. Em 2004, a disputa teve oito concorrentes e a vitória de Helio de Oliveira Santos (PDT), que se reelegeu em 2008 quando nove disputaram a Prefeitura. Na eleição seguinte estavam sete na disputa e Jonas Donizette (PSV) se elegeu e foi reeleito em 2016.

Dos 14 que vão disputar as eleições em novembro, duas chapas entraram com pedido de registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até à tarde de ontem: Dário Saadi (Repub)/Wanderlei Almeida (PSB) e André Von Zuben (Cidadania)/Valeria Monteiro (REDE). Há também 288 pedidos de registros de candidaturas para a Câmara Municipal, de sete partidos: DEM, Novo, MDB, PCdoB, PSB, PSL e Republicanos.

Termina, no próximo sábado às 19h, o prazo para os partidos políticos e as coligações apresentaram o requerimento de registro de seus candidatos. Além das duas chapas que já ingressaram com o pedido, as eleições em novembro terão como candidatos a prefeito e vice Artur Orsi (PSD)/Capitação Pereira (PSD), Ahmed Tarique (PMN)/Aristide Ferreira (PMN), Alessandra Ribeiro (PCdoB)/ José Carlos Lourenço (PCdoB), Delegada Terezinha (PTB) – ainda sem vice definido, Edson Dorta (PCO)/ Larissa Machado Leonetti (PCO), Hélio de Oliveira Santos (PDT)/Surya Guimaraens (PDT), Laura Leal de Castro (PSTU)/ é José Dias Freitas Jr (PSTU), Pedro Tourinho (PT)/ Edilene Santana (PSOL), Rafa Zimbaldi (PL)/ Anna Beatriz Sampaio (PSDB), Rogério Menezes (PV)/ Adalberto Maluf, Rogério Parada (PRTB)/ Marco Antônio de Freitas Pires (PRTB), Wilson Matos (Patriota)/ Márcia Padovani (PRTU).

Da saga dos “biônicos” à redemocratização

Durante o regime militar, muitas cidades brasileiras tiveram os chamados “prefeitos biônicos”, nomes escolhidos pelos governadores, que por sua vez, eram “eleitos” pelas assembleias legislativas. Foi o caso de municípios que eram capitais, estâncias hidrominerais e cidades de fronteiras que, pelo Ato Institucional 3, de 1968, proibiu eleições diretas nesses locais cidades. Também em 1968 foram instituídos os municípios de segurança nacional (entre eles, Paulínia), com prefeitos escolhidos por governadores.

As primeiras eleições diretas para prefeitos nessas cidades ocorreram em 1985. Partidos menores puderam disputar a corrida eleitoral, num total de 30 legendas, incluindo as dos partidos comunistas. Foi um momento histórico, após 20 anos de eleições indiretas, marcado ainda pela extensão do voto aos analfabetos. Em 201 cidades houve eleições para a escolha dos prefeitos que governariam as cidades de 1º de janeiro de 1986 e cujos sucessores seriam eleitos em 1988. (MTC/AAN)

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Maria Teresa Costa