Publicado 23 de Setembro de 2020 - 10h09

Por Francisco Lima Neto/AAN

Há sinais de que as empresas locais iniciaram a retomada da produção

Cedoc/RAC

Há sinais de que as empresas locais iniciaram a retomada da produção

A indústria da Região Metropolitana de Campinas (RMC) registrou queda acentuada nas exportações para dois importantes mercados: Argentina e México. Com isso, a balança comercial — resultado entre importações e exportações — está cada vez mais negativa e não deve mudar tão cedo em razão da pandemia. As informações foram divulgadas pela Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Segundo dados do Ciesp, em agosto as exportações foram de US$ 224,4 milhões, contra US$ 306,1 do mesmo mês em 2019 — redução de 26,7%. Já as importações em agosto registraram US$ 893 milhões — 9,7% a menos que em 2019 (US$ 988,9 milhões).

De acordo com Anselmo Riso, diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp, a balança comercial continua desfavorável. "A gente continua importando mais do que exportamos. No acumulado de janeiro a agosto de 2020 exportamos US$ 1,6 bilhão e importamos US$ 6,4 bilhões", diz.

Para a Argentina, a RMC exporta não só insumos para a indústria automobilística, como também veículos prontos. "O principal mercado para exportações da região é a Argentina, mas teve uma queda extremamente significativa. Com a situação (econômica) que está lá, não está tendo mais essa exportação. Tivemos uma queda em relação ano de 2019 de 36,5% nas exportações para a Argentina", explica.

Ainda segundo ele, as exportações para o México caíram 35% neste ano, de janeiro a agosto, em comparação com o mesmo período do ano de 2019.

"A tendência que a gente tem de importar mais, tem a ver também que as empresas estão retomando e precisamos de insumos importados para poder retomar os processos de produção", diz. Atualmente, o que a indústria da região mais importa são máquinas, aparelhos, materiais elétricos e produtos químicos e orgânicos.

De acordo com Riso, a região conta com empresas de alta tecnologia que dependem muito de insumos importados. "A tendência realmente é que nossa balança comercial vá se tornando cada vez mais negativa porque não temos produtos que possam atender outros mercados, como as commodities (produtos de origem primária comercializados nas bolsas de mercadorias e valores de todo o mundo e que possui um grande valor comercial e estratégico)", ressalta.

A coletiva virtual apresentou dados de pesquisa on-line, que avaliou os efeitos dos seis meses de pandemia do novo coronavírus na indústria regional.

Para o diretor do Ciesp-Campinas, José Nunes Filho, o fato de 47% das empresas apontarem na pesquisa que estão tendo dificuldades para conseguir insumos e matérias-primas, demonstra uma retomada na produção industrial. De acordo com ele, o aço plano, alumínio, papelão para embalagem e resinas termoplásticas são alguns desses insumos que estão em falta no mercado e, portanto, tiveram elevação nos seus preços. "Como não há matéria-prima suficiente, no caso do aço plano, o preço subiu 76% em reais e 34% em dólares, o que é muito significativo. Isso se deveu aos altos-fornos das siderúrgicas ficarem meses desativados e somente agora estarem retomando as suas atividades", explica.

No caso do alumínio, que é importado, os estoques ficaram baixos, as importações diminuíram e a oferta desse insumo no mercado nacional deve se regularizar nos próximos 60 a 70 dias, tempo médio de duração do processo de importação, segundo o diretor.

Na avaliação dele, são "boas notícias, porque indicam que o crescimento industrial está sendo retomado e que aa inflação gerada com os aumentos nesses insumos, não deve se manter", à medida que a oferta seja regularizada nos próximos meses.

Em geral, os demais indicadores da pesquisa de setembro se mantêm relativamente próximos aos do mês de agosto — 68% das empresas continuam com diminuição em suas vendas, 63% delas têm dificuldades para realizar pagamentos de rotina e 68% afirmam que estão buscando linhas de financiamento para capital de giro.

Na pesquisa anterior, 72% das empresas estimaram que o pleno desempenho de suas atividades ocorreria dentro do período de um a seis meses. Nessa pesquisa de setembro, para esse mesmo período, a estimativa cresceu para 79% das indústrias.

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Francisco Lima Neto/AAN