Publicado 14 de Setembro de 2020 - 19h01

Por AFP

Um filme inspirado nos protestos contra a guerra realizados em Chicago em 1968 e em um extraordinário julgamento subsequente estreia em outubro, em um momento de divisão nos Estados Unidos pelas manifestações contra o racismo e a brutalidade policial.

A ideia inicial partiu do diretor vencedor do Oscar Steven Spielberg, que mais tarde deixou o projeto nas mãos do roteirista Aaron Sorkin, que assumiu a direção, o finalizou e nesta segunda-feira (14) apresentou um trecho da obra no Festival de Toronto.

"The Trial of the Chicago 7" conta com um elenco impressionante formado por Mark Rylance, Eddie Redmayne, Joseph Gordon-Levitt e Sacha Baron Cohen.

Spielberg e Sorkin se encontraram pela primeira vez para discutir o projeto em 2006 e, desde então, "o mundo refletiu cada vez mais os acontecimentos do filme", disse o criador da série "The West Wing" em um bate-papo virtual no festival canadense.

"Isso foi antes de Breonna Taylor, Rayshard Brooks, George Floyd. Foi antes disso", disse ele, referindo-se aos negros mortos recentemente pela polícia.

"As semelhanças ... são assustadoras." "O filme foi relevante quando o estávamos fazendo ... não precisávamos que fosse mais relevante, mas aconteceu."

O filme leva o público de volta a 1968, quando a oposição à guerra do Vietnã aumentava e Martin Luther King Jr. e Bobby Kennedy acabavam de ser assassinados. Manifestantes enfrentaram a polícia com pedras, que responderam com cassetetes e gás lacrimogêneo.

A trama gira em torno do julgamento de sete manifestantes hippies, que usaram humor, fantasias e canções para condenar o sistema político, enquanto o juiz ordenou que um dos acusados - um dos líderes dos Panteras Negras - fosse amordaçado e acorrentado à cadeira.

"O que estamos vendo hoje, mais uma vez, é a demonização da dissidência", disse Sorkin.

Os Estados Unidos registraram manifestações massivas contra o racismo e a brutalidade policial, muitas vezes terminando em tumultos e confrontos com policiais.

Em 1968, centenas de pessoas foram presas nos protestos de Chicago, que coincidiram com a convenção do Partido Democrata e a nomeação de Hubert Humphrey, e que simbolizaram uma grande divisão do povo americano.

No julgamento da vida real, todos os réus foram absolvidos de conspiração e cinco dos sete foram condenados por cruzar as fronteiras estaduais para incitar tumultos, mas foram absolvidos ao recorrerem da condenação.

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