Publicado 14 de Setembro de 2020 - 14h01

Por AFP

As autoridades paquistanesas anunciaram nesta segunda-feira a prisão de um suspeito em um caso de estupro coletivo que chocou o país depois que um policial insinuou que a vítima era culpada por dirigir sozinha à noite sem um companheiro.

Dos dois homens suspeitos do crime, um foi preso, disse Usman Buzdar, o ministro-chefe da província de Punjab (leste), onde ocorreu o estupro.

"Seu DNA corresponde e ele mesmo confessou o crime", disse Buzdar em um tuíte.

Um oficial da polícia confirmou a prisão, acrescentando que uma busca está em andamento para prender o segundo suspeito.

Durante o fim de semana houve manifestações em várias cidades do Paquistão denunciando as declarações do chefe da polícia de Lahore, capital do Punjab, Umar Sheikh, que chegou a sugerir que o estupro foi, em parte, culpa da vítima, ameaçada com uma arma e estuprada na frente de seus dois filhos quando seu carro quebrou.

Ninguém no Paquistão "permitiria que suas filhas e irmãs viajassem sozinhas tão tarde", disse. "A família dela é francesa, o marido mora na França. Ela fez isso porque se baseia no que acontece na França. Ela acreditava que nossa sociedade é tão segura quanto na França", acrescentou.

Sheikh se desculpou na segunda-feira por seus comentários.

A embaixada francesa no Paquistão, contatada pela AFP, não quis comentar o assunto.

Grande parte do Paquistão, um país muçulmano e conservador, vive sob um código patriarcal que oprime sistematicamente as mulheres, por exemplo, impedindo-as de escolher seus maridos ou de trabalhar fora de casa. Todos os anos, cerca de mil mulheres paquistanesas, acusadas de terem envergonhado suas famílias, são mortas por um membro de suas famílias nos chamados crimes de honra.

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