Publicado 14 de Setembro de 2020 - 12h21

Por AFP

Um centro equestre do Oregon que abriu suas portas para cavalos selvagens, deslocados pelos incêndios que assolam a costa oeste dos Estados Unidos, acabou se tornando refúgio para outros animais fugindo das chamas, como porcos, patos, mulas e um boi.

Na semana passada, a equipe do Mount Hood Center, situado em Boring, ao leste de Portland, ofereceu abrigo para cavalos e seus donos. Eles fugiam dos incêndios que já devastaram uma área semelhante à superfície do estado de Nova Jersey e deixaram pelo menos 35 mortos até agora.

Em apenas algumas horas, cada um de seus 80 estábulos estava cheio de pessoas desesperadas, levando seus cavalos, geralmente de lugares localizados a poucos quilômetros das chamas.

"As pessoas estavam desesperadas, não tinham para onde ir. Estavam perdendo suas casas, seus estábulos e certamente não querem perder seus animais", afirmou o diretor de Operações do centro, Aaron Shelley.

Mas não foram apenas os cavalos que chegaram: o centro também acolheu um boi, mulas, pôneis, patos e porcos.

"Havia muitos animais em pânico, chutando e gritando. Parecia uma zona de guerra com todos gritando", relatou Shelley.

Em particular, os cavalos, acostumados a ficar ao ar livre, tiveram de ser acalmados pela equipe do centro equestre, que "fez um trabalho maravilhoso (...), confortando-os com palavras bonitas", disse Shelley.

Da mesma forma, os habitantes locais ajudaram com comida e ração para os animais. Imagens publicadas pelo centro hípico mostram a chegada de caminhões carregados com feno doado, e a equipe distribuindo o alimento para os animais.

"Tínhamos todos esses estábulos vazios. Era a coisa lógica a fazer", afirmou a diretora do centro equestre, Brandi Hatch.

"É maravilhoso ver como as pessoas se uniram e nos ajudaram", acrescentou.

Sarah Anderson, que trabalha no centro, trouxe quatro cavalos.

"Primeiro trouxe os animais. Depois, voltei com meu trailer e decidi acampar aqui", disse ela.

Embora os cavalos estejam protegidos das chamas, a fumaça densa que enche o ar é um perigo.

"Com animais desse tamanho, o perigo é a inalação de fumaça e a qualidade do ar", explicou Sarah.

"Nós não os exercitamos muito e os desaceleramos para que sua frequência cardíaca não acelere. Então, eles não inspiram mais do que o necessário", completou.

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