Publicado 13 de Setembro de 2020 - 14h31

Por AFP

O movimento que liderou os protestos contra o presidente Ibrahim Boubacar Keïta, derrubado em um golpe de Estado, rejeitou a proposta da junta militar de criar um governo de transição no Mali para restabelecer a paz e a volta do poder civil em 18 meses.

Em um comunicado, o movimento denunciou "a vontade de aparelhamento e confisco do poder dado ao CNSP", o Comitê Nacional para a Salvação do Povo, criado pelos militares golpistas, que depuseram Keita em 18 de agosto.

O chefe da junta militar, o coronel Assimi Goita, se comprometeu no sábado (12) com uma transição de 18 meses, após três rodadas de discussões com personalidade políticas e civis.

O Movimento 5 de Junho - União das Forças Patrióticas (M5-RFP) aponta a falta de reconhecimento de seu papel e dos "mártires na luta do povo malinês por mudança", assim como a "eleição majoritária de uma transição dirigida por uma personalidade civil".

"O M5-RFP denuncia as intimidações, as práticas antidemocráticas e desleais dignas de uma outra época", disse protestando em um comunicado do movimento.

Os especialistas designados pela junta elaboraram uma "Carta" de transição para preparar esse protesto.

A Comunidade Econômica dos Estados da África ocidental (Cedeao) pediu a volta dos civis ao poder no prazo máximo de um ano, em uma transição comandada por civis.

A Cedeao, que impôs um embargo comercial e financeiro em Mali, afirmou que a junta tem até terça-feira para indicar um presidente e um primeiro-ministro civil.

Os líderes da junta deverão se reunir com chefes de Estados e de Governo da Cedeao na terça-feira em Acra, capital de Gana, disse à AFP um colaborador do ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan, que chegou a comandar uma mediação nesta crise.

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