Publicado 13 de Setembro de 2020 - 14h11

Por AFP

Manifestantes incendiaram na madrugada deste domingo (13) a sede do governo paralelo da Líbia, localizada em Benghazi, segunda maior cidade do país, causando graves danos materiais, de acordo com uma fonte da segurança.

"Nas primeiras horas deste domingo, um grupo de manifestantes atacou o edifício da sede do gabinete e ateou fogo. Depois eles fugiram", afirmou à AFP uma fonte do ministério do Interior do governo paralelo que pediu anonimato.

Policias e bombeiros se deslocaram rapidamente para o lugar na tentativa de controlar as chamas que danificaram a entrada principal do edifício, segundo a mesma fonte.

Em Al Marj, cerca de 100 km ao leste de Benghazi, a polícia usou armas letais contra manifestantes que tentavam invadir um quartel-general da polícia da cidade.

Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, de acordo com informações apuradas pela AFP e uma fonte do hospital central da cidade.

O ministério do Interior do governo paralelo fez um apelo aos manifestantes nas cidades da região leste para que "não danifiquem a propriedade estatal" e para que "respeitem o direito de manifestação pacífica", segundo um comunicado.

A Líbia, país com as maiores reservas de petróleo da África, está afundada em um conflito entre duas facções rivais: o Governo da Unidade Nacional (GNA), reconhecido pela ONU e a comunidade internacional, com sede em Trípoli, e um poder paralelo liderado pelo marechal Khalifa Haftar, que controla o leste e parte do sul do país.

Desde janeiro, os grupos pró-Haftar bloquearam os campos e portos petroleiros mais importantes do país exigindo uma distribuição igualitária, segundo eles, da receita do petróleo, que é administrada pelo GNA.

Este bloqueio, que provocou perdas de receitas de mais de 9,6 bilhões de dólares, segundo números recentes da Companhia Nacional de Petróleo, aprofundou a escassez de energia elétrica e combustível no país.

Há duas semanas, centenas de pessoas protestaram em Trípoli contra a corrupção e as difíceis condições de vida na cidade que, durante mais de 14 meses, foi alvo de uma impiedosa ofensiva militar das forças de Haftar.

As partes rivais anunciaram separadamente, em 22 de agosto de 2020, um cessar-fogo e a realização de eleições.

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