Publicado 13 de Setembro de 2020 - 12h51

Por AFP

Dezenas de milhares de pessoas protestavam neste domingo em Minsk contra a reeleição do presidente Alexander Lukashenko, apesar da repressão da polícia, que anunciou 250 detenções.

A oposição, que mobiliza desde as eleições presidenciais de 9 de agosto mais de 100.000 pessoas a cada fim de semana nas ruas da capital de Belarus, enfrentou mais uma vez um grande dispositivo das forças de segurança, armadas e equipadas com veículos blindados e de lançamento de jatos d"água, sobretudo diante da sede da presidência, um dos locais de concentração.

A multidão compareceu pelo quinto domingo consecutivo ao centro de Minsk.

O movimento de protesto teve início em Belarus no dia da eleição presidencial, que Lukashenko afirma ter vencido com 80% dos votos. A cada domingo mais de 100.000 pessoas ocupam as ruas da capital Minsk.

Nos últimos anos, Lukashenko, no poder desde 1994, acusou sua histórica aliada Rússia de "desestabilizar" o país, mas desde o início dos protestos contra seu governo ele deu uma guinada de 180 graus e voltou a pedir o apoio da Rússia contra o que chama de manobra ocidental.

Desde o início da manifestação, que recebeu o nome de "Marcha dos heróis", em referência às vítimas da repressão, a polícia anunciou a detenção de quase 250 pessoas em Minsk pelo "uso de bandeiras e outros símbolos" da oposição. No fim de semana passado, 600 foram detidos pelas forças de segurança em Minsk e outras cidades.

"Eu vim marchar pela liberdade e pretendo comparecer sempre, enquanto não conseguirmos por meios pacíficos", declarou à AFP Oleg Zimin, de 60 anos.

"Estamos dispostos a protestar até a mudança de poder. Não perdemos nenhum domingo", explicaram os irmãos Matvei e Zakhar Kravshenko, ambos com pouco mais de 20 anos.

No sábado, a polícia reprimiu com violência uma concentração de mulheres na capital e dezenas de manifestantes foram detidas.

Svetlana Tikhanovskaya, candidata na eleição presidencial que reivindicou a vitória sobre Lukashenko e está exilada na Lituânia, elogiou em um vídeo um "povo realmente heroico que prossegue na luta pela liberdade".

A semana passada foi marcada pela detenção de uma de suas aliadas, Maria Kolesnikova, que resistiu à expulsão do país: ela rasgou o passaporte em pedaços para não ser enviada ao exterior.

Kolesnikova foi detida e acusada de "atentar contra a segurança nacional".

Apesar da magnitude dos protestos, Lukashenko se nega a fazer qualquer concessão. Ele fez apenas uma breve referência a uma futura e ambígua reforma da Constituição.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que está "profundamente preocupado" com o uso da força em Belarus contra manifestantes pacíficos e destacou que "apenas o povo bielorrusso" pode resolver a crise.

A União Europeia lamentou em um comunicado "o desprezo cada vez mais evidente pelo direito demonstrado em Belarus, em particular a espiral de violência e o exílio forçado" de membros da oposição.

O governo dos Estados Unidos anunciou que está preparando sanções contra autoridades bielorrussas e destacou que Moscou está correndo um grande risco ao apoiar o chefe de Estado que está no poder há 26 anos

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