Publicado 13 de Setembro de 2020 - 9h21

Por AFP

O presidente Donald Trump anunciou que pretende viajar na segunda-feira ao estado da Califórnia para avaliar o balanço dos incêndios que devastam a costa oeste dos Estados Unidos, que já provocaram 31 mortes e queimaram mais de dois milhões de hectares desde o início do ano.

A Casa Branca informou no sábado que "o presidente Donald Trump visitará a Califórnia na segunda-feira, onde será informado sobre a situação dos incêndios no estado".

Para as autoridades locais e muitos especialistas, a escalada dos incêndios florestais, que vão do Canadá até o México, está sem dúvida vinculada à mudança climática, que agrava a seca crônica e provoca condições climáticas extremas, algo que foi relativizado ou negado por Trump.

Joe Biden, o rival democrata de Trump na eleição presidencial de 3 de novembro, concorda com os especialistas e denunciou no sábado uma "ameaça existencial".

"O presidente Trump pode tentar negar a realidade, mas os fatos são inegáveis. Devemos agir absolutamente para evitar um futuro marcado por um dilúvio interminável de tragédias, como as que sofrem hoje as famílias americanas da costa oeste", afirmou em um comunicado.

As autoridades americanas já anteciparam que os incêndios provocarão um número considerável de mortos. As chamas provocaram a fuga de milhares de pessoas.

"Prevemos que o número (de mortos) aumente à medida que consigamos retornar às áreas devastadas pelas chamas", advertiu o governador da Califórnia, Gavin Newsom, ao visitar uma área devastada de uma floresta ao norte do estado.

"Nós estamos trabalhando a ideia de que há um número considerável de mortos, segundo o que sabemos sobre o número de edifícios destruídos", disse Andrew Phelps, diretor dos serviços de gestão de emergências de Oregon.

Os incêndios já atingiram mais de 400.0000 hectares do estado. O fogo ameaça áreas do Oregon onde vivem 500.000 pessoas. Até sexta-feira, 40.000 moradores abandonaram suas casas, de acordo com a governadora Kate Brown.

Dezenas de incêndios arrasam os estados de Washington, Oregon e Califórnia, da fronteira do Canadá até a fronteira com o México, alimentados por dias pela seca crônica e os fortes ventos.

Mas as condições apresentaram um breve alívio. Mais de 20 mil bombeiros que lutam contra as chamas tinham a seu favor uma mudança no clima no fim de semana, com menos calor e mais umidade.

No estado de Washington, mais de 250.000 hectares queimaram em cinco dias, informou o governador Jay Inslee.

Os incêndios também provocaram cortinas espessas de fumaça que chegaram a Portland, San Francisco e Seattle, o que deixou as três cidades entre as mais poluídas do planeta no sábado, de acordo com uma classificação da empresa IQAir.

"Eu gostaria que os incêndios de 2020 fossem apenas uma anomalia, episódios únicos. Infelizmente são apenas os precursores do futuro", lamentou a governadora Kate Brown.

"Estamos vendo os efeitos devastadores da mudança climática em Oregon, na costa oeste e em todo o mundo", completou.

Mas a temporada de incêndios, que geralmente prossegue até novembro, ainda está longe do fim.

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