Publicado 12 de Setembro de 2020 - 20h13

Por AFP

A farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford anunciaram neste sábado a retomada dos testes clínicos no Reino Unido para desenvolver uma vacina contra a Covid-19, após receberem a autorização das autoridades sanitárias.

"Os testes clínicos da vacina da AstraZeneca contra o novo coronavírus foram retomados no Reino Unido, após a confirmação pela Autoridade Reguladora de Saúde de Medicamentos (MHRA)", informou a empresa.

No Brasil, a Anvisa explicou que ainda não foi notificada oficialmente pela MHRA sobre a decisão, mas recebeu a solicitação formal da AstraZeneca para retomar os testes no Brasil. "A Anvisa recebeu, na tarde deste sábado, as informações necessárias para iniciar a análise de reativação do estudo clínico com a vacina da Universidade de Oxford no Brasil", diz um comunicado divulgado pela agência.

"Após o anúncio da retomada no Reino Unido, a Anvisa irá seguir, nas próximas horas, o protocolo de análise necessário para avaliar o pedido. A agência reitera que está comprometida com a celeridade na análise de todos os dados. Ao mesmo tempo, trabalha para garantir a segurança dos participantes do estudo clínico no Brasil", assinala o texto.

A AstraZeneca anunciou na última quarta-feira a interrupção "voluntária" dos testes da vacina que desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford depois de detectar que um dos voluntários havia desenvolvido uma doença "inexplicável".

O contratempo não invalida o objetivo dos experimentos: obter uma vacina "até o final do ano ou início do próximo ano", afirmou o grupo farmacêutico.

Após a doença inesperada do voluntário, Oxford e a AstraZeneca criaram um comitê independente para avaliar os riscos da vacina e examinar as medidas de segurança dos testes, um passo que tanto a multinacional como a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificaram como algo rotineiro nestes casos.

O comitê "concluiu as investigações e confirmou a MHRA que os testes são seguros", completou a AstraZeneca.

- Segurança -

Em comunicado separado, a Universidade de Oxford confirmou neste sábado a retomada dos testes, destacando que "em testes de larga escala como este se espera que alguns participantes adoeçam".

"Cada caso deve ser analisado cuidadosamente para garantir uma avaliação exaustiva da segurança", destacou a universidade.

Charlotte Summers, professora de Medicina de Cuidados Intensivos da Universidade de Cambridge, elogiou a retomada dos testes e afirmou que os cientistas demonstraram seu compromisso "ao colocar a segurança no centro de seu programa de pesquisas".

"Para enfrentar a pandemia mundial de covid-19 temos que desenvolver vacinas e terapias com as quais as pessoas sintam-se confortáveis para que as utilizem", comentou. "Por isso é vital que nos dediquemos aos testes para manter a confiança da população".

A vacina da AstraZeneca e Oxford é uma das nove que estão sendo testadas atualmente no mundo em larga escala em seres humanos, o que é conhecido como Fase 3.

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