Publicado 12 de Setembro de 2020 - 17h31

Por AFP

Autoridades americanas se preparavam neste sábado (12) para lamentar "um número considerável de mortos" nos incêndios que devastam a costa oeste do país, enquanto dezenas de milhares de pessoas foram evacuadas de seus lares diante da rápida propagação das chamas.

Dezenas de incêndios arrasam os estados de Washington, Oregon e Califórnia, desde a fronteira do Canadá até o México, alimentados por dias pela seca crônica e os fortes ventos. Mas estas condições têm dado um respiro. Mais de 20 mil bombeiros lutam contra as chamas e tinham a seu favor uma mudança no clima, para mais fresco e úmido, neste fim de semana.

No decorrer da semana, o fogo já havia tirado 16 vidas, um dado que parece menor na realidade, já que as equipes de resgate não podem entrar em grandes áreas arrasadas pelas chamas.

"Nós estamos trabalhando a ideia de que há um número considerável de mortos, segundo o que sabemos sobre o número de edifícios destruídos", disse nesta sexta-feira Andrew Phelps, diretor dos serviços de gestão de emergências de Oregon.

Os incêndios já atingiram mais de 400 mil hectares do estado, onde as equipes de resgate já contabilizaram três mortes e há dezenas de pessoas desaparecidas.

Dependendo do estado de perigo, as instruções de evacuação vão desde a preparação de artigos e documentos essenciais até a saída imediata.

"É como um filme, ninguém espera que aconteça, mas, quando acontece, dá medo", disse à AFP Carrie Clarke, retirada na cidade de Molalla, perto de Portland.

"Eu gostaria que os incêndios de 2020 fossem apenas uma anomalia, episódio únicos. Infelizmente, são apenas os precursores do futuro", lamentou o governador do estado.

Brown informou que, em três dias, as chamas haviam consumido 360.000 hectares, o dobro da vegetação que queima em média durante um ano completo. "Estamos vendo os efeitos devastadores da mudança climática em Oregon, na costa oeste e em todo mundo", insistiu.

"Prevemos que o número (de mortos) aumente à medida que retornemos às áreas devastadas pelas chamas", alertou também o governador da Califórnia, Gavin Newsom, enquanto visitava áreas queimadas de uma floresta no norte do estado.

A Casa Branca anunciou neste sábado que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em campanha para as eleições presidenciais de 3 de novembro, visitará a Califórnia para supervisionar as obras de contenção.

"É uma maldita emergência climática, é real e está acontecendo agora mesmo", insistiu o governador da Califórnia, onde o fogo tem atingido o recorde anual de superfície calcinada, com mais de 1,2 milhão de hectares.

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