Publicado 11 de Setembro de 2020 - 21h44

Por AFP

O Chile lembrou nesta sexta-feira (11) os 47 anos do golpe de Estado que derrubou o governo do socialista Salvador Allende, quase um mês antes do plebiscito para mudar a Constituição herdada da ditadura, e um ano após uma mobilização social que sacudiu o país.

Partidos de esquerda e vítimas da ditadura de Augusto Pinochet lembraram a figura de Allende, o primeiro presidente marxista a chegar ao poder por meio de eleições democráticas em 50 anos, derrubado em 11 de setembro de 1973 pelo golpe liderado por Pinochet.

Este foi o primeiro aniversário de uma data que divide grande parte do país e que se comemora em estado de exceção - por restrições de saúde - desde que a democracia foi restaurada em 1990.

Violentos confrontos com a polícia foram vistos em frente ao Cemitério Geral e nos arredores da Plaza Italia, em Santiago.

Pela manhã, ao final da tradicional peregrinação ao memorial às vítimas da ditadura(mais de 3.200, entre mortos e desaparecidos), cerca de 50 pessoas enfrentaram as forças especiais da polícia com pedras e paus.

À tarde, centenas de manifestantes se reuniram em mais uma sexta-feira na central Plaza Italia, onde novos confrontos com a polícia eclodiram.

Pedras e outros objetos foram lançados por manifestantes, enquanto gás lacrimogêneo, spray de pimenta e carros lançadores de água respondiam ao avanço da multidão em uma luta para dominar a simbólica rotatória, centro do surto social de 18 de outubro de 2019.

Com panelaços, um dos maiores protestos em seis meses de pandemia foi recebido por um imenso dispositivo de agentes, carros blindados, lançadores de água e de gás.

A onda de protestos sociais, a mais massiva nos 30 anos de democracia e que resultou em mais de 30 mortos e milhares de feridos, obrigou a realização de um plebiscito para definir a mudança ou não da Constituição que permanece como patrimônio da ditadura.

A consulta, na qual é necessário definir se a população vai "aprovar" ou "rejeitar" a mudança constitucional, deveria ter ocorrido em abril, mas foi adiada devido à pandemia e será realizada no dia 25 de outubro.

"Estamos aqui para aprovar, para reestruturar a Constituição", acrescentou Sérgio.

Para Camila Henríquez, 23 anos, o protesto "não é contra os Carabineros (a polícia) e sim contra o sistema".

A respeito do próximo plebiscito, ela não acredita que tudo vá mudar, mas "temos que começar alguma coisa", disse à AFP, no meio da ação policial.

Os seis meses da pandemia deixaram mais de 430.000 infectados com coronavírus e 15.800 mortes, se os casos suspeitos também forem considerados.

O governo prorrogou nesta sexta-feira por mais 90 dias - até 15 de dezembro - o estado de emergência que deixa a ordem pública nas mãos dos militares, com toque de recolher noturno.

Escrito por:

AFP