Publicado 11 de Setembro de 2020 - 18h31

Por AFP

Não foi a primeira vez que Leanna Mikesler precisou deixar sua casa devido a um incêndio florestal. Ela mora nas montanhas da Califórnia, cada vez mais devastadas pelas chamas.

Durante a pandemia, no entanto, foi "10 vezes mais difícil", disse a aposentada à AFP, enquanto passeava com seu cachorro em um abrigo para animais de estimação habilitado pela Cruz Vermelha em Clovis, no centro do estado.

Com o marido e os documentos mais importantes, ela fugiu pela segunda vez desde que mora em Meadow Lakes, na Sierra National Forest, onde ocorre o incêndio Creek, que começou há quatro dias e já consumiu 66 mil hectares.

"Quando a ordem de evacuação for suspensa, poderemos ver se a casa não pegou fogo", disse Mikesler acrescentando que, pelo que viu nas imagens aéreas, os bombeiros "estão tentando preservar Meadow Lakes" usando aviões que lançam um químico avermelhado sobre as chamas para impedir a propagação do fogo.

Desde que um oficial de justiça os avisou no sábado por meio de alto-falantes para evacuarem, eles dormem em um quarto de hotel com tarifa subsidiada porque o típico albergue com centenas de leitos alinhados em um ginásio ficou inviável com a pandemia de covid-19, que só na Califórnia matou 13.841 pessoas.

"Temos mais de 600 pessoas" em hotéis desde o início da emergência, explicou Cindy Huge, porta-voz da Cruz Vermelha em um centro para desabrigados em uma escola secundária. "Eles recebem comida em embalagens descartáveis, três refeições ao dia, lanche e água".

David Mascarini, de 69 anos, estava desorientado, sem saber o que fazer. Foi a primeira vez que ficou "na rua".

"Estou procurando um lugar para dormir, poderia ser em minha caminhonete, mas estou com minha esposa e meu cachorro", disse o homem grisalho e barba cheia, morador de Auberry, perto de Meadow Lakes.

O hotel onde passaram a primeira noite não tinha vagas. Eles procuraram a Cruz Vermelha, que em março elaborou o novo protocolo para tempos de pandemia, prevendo uma situação como esta.

"Não sei se minha casa resistiu. Limpei os arbustos ao redor da propriedade, espero que tenha funcionado", disse ele, não muito convencido.

Pelo menos 60 casas já foram destruídas por Creek, de acordo com o corpo de bombeiros da Califórnia, Cal Fire. As comunidades das montanhas se tornaram cidades fantasmas.

Em Shaver Lake, outra das áreas afetadas, o que antes eram residências se reduziram a escombros, confirmou a AFP.

Em uma delas, apenas a lareira de tijolos resistiu.

Os restos carbonizados da máquina de lavar roupas, um jogo de mesa metálico de jardim e uma caminhonete sugerem a planta da casa.

Das montanhas era possível ver linhas de fumaça como se saíssem de uma chaminé, enquanto nas estradas troncos queimavam ao lado de pequenas chamas.

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