Publicado 11 de Setembro de 2020 - 18h11

Por AFP

Times brasileiros e argentinos dominam a Copa Libertadores há anos sem grandes surpresas e, dias antes da retomada do torneio continental, após um intervalo de seis meses devido à pandemia, a pergunta volta a ser feita: essa hegemonia pode ser quebrada?

A adaptação ao novo cenário devido à covid-19 vai influir nesta nova etapa porque a fase de grupos será retomada não em uma bolha, mas em cada um dos dez países sul-americanos, a maioria deles com condições sanitárias muito complicadas, com exceções como o Uruguai.

Das últimas 20 edições do principal torneio de clubes do continente, 16 foram vencidas por times das duas potências sul-americanas, uma estatística que acompanha as diferenças econômicas que se aprofundaram nestes anos.

Entre todos eles, Flamengo e River Plate, campeão e vice em 2019, parecem estar um degrau acima inclusive de seus compatriotas, embora não mais de forma tão evidente.

O clube carioca, que ameaçou se tornar a potência continental por muitos anos, ainda está cercado de dúvidas após a chegada do técnico espanhol Domenec Torrent para substituir o bem sucedido português Jorge Jesus, vencedor de quatro torneios em 2019, dois deles no mesmo fim de semana, a Libertadores e o Brasileirão.

Ao assumir o Flamengo em julho passado, Torrent, ex-integrante da comissão técnica de Pep Guardiola, prometeu "vencer, vencer e vencer", embora até agora tenha alternado entre ganhar, empatar e perder, longe daquela máquina demolidora de apenas um ano atrás.

O River, o outro grande aspirante comandado por Marcelo Gallardo, um especialista em campeonatos internacionais, corre em desvantagem porque vai voltar aos gramados na quinta-feira, dia 17, contra o São Paulo, no Morumbí, sem ter disputado um único jogo, seja amistoso ou oficial. A Argentina, assim como a Venezuela, são os únicos países sul-americanos onde o futebol local ainda está paralisado.

Apesar de "El Muñeco" Gallardo não liderar um time de superestrelas, ele contagia com uma mística de compromisso e jogo ordenado que deu ao River sete títulos internacionais desde 2014.

Fora os times argentinos e brasileiros, o Independiente del Valle do Equador, o Libertad do Paraguai e em menor medida o Junior Barranquilla são no papel quem pode se impôr diante dos poderosos, mas ainda estão longe do caminho rumo ao título.

O time equatoriano, atual campeão da Copa Sul-Americana, fez uma boa retomada, com duas vitórias em dois jogos e divide a liderança do Grupo A com o Flamengo, atual campeão da Libertadores.

Por outro lado, nessa mesma chave, o Junior Barranquilla, finalista da sul-americana em 2018, tem potencial para brigar pelo título, com jogadores renomados como os atacantes Teófilo Gutiérrez e Miguel Borja, mas já perdeu seus dois primeiros jogos e o panorama é difícil com dois adversários complicados como Flamengo e Independiente del Valle.

Até a paralisação, o Libertad do Paraguai dava sinais de estar à altura com uma equipe forte sob a batuta do experiente técnico argentino Ramón Díaz, que luta com duas vitórias em dois jogos no Grupo H.

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