Publicado 25 de Setembro de 2020 - 13h23

Por AFP

Duas pessoas feridas a facadas em Paris, perto da antiga sede da semanário satírico Charlie Hebdo, em meio ao julgamento dos supostos cúmplices dos atentados terroristas de janeiro de 2015: veja o que se sabe sobre o ataque ocorrido nesta sexta-feira (25).

Pouco antes do meio-dia, um homem munido de uma arma branca feriu duas pessoas, um homem e uma mulher, perto da antiga sede do semanário satírico na rua Nicolas Appert, no 11º arrondissement de Paris (leste da capital).

"Suas vidas não estão em perigo, graças a Deus", declarou o primeiro-ministro Jean Castex durante uma visita ao local.

As duas vítimas são funcionárias da agência Premières Lines, instalada na rua. Estavam fazendo uma "pausa para fumar um cigarro" quando o agressor apareceu.

"Eu vi um dos meus colegas, manchado de sangue, ser perseguido por um homem com um facão na rua", disse à AFP um funcionário desta produtora audiovisual.

Desde o atentado de 7 de janeiro de 2015, no qual 12 pessoas foram mortas pelos irmãos Kouachi, o Charlie Hebdo não ocupa mais suas instalações da época. A equipe mudou-se para um endereço mantido em segredo.

Pouco depois do ataque, um homem foi preso perto da Place de la Bastille (leste). Com 18 anos, ele é o "principal autor" do ataque, disse Jean-François Ricard, chefe da promotoria antiterrorismo, encarregada da investigação. De acordo com os primeiros elementos, ele nasceu no Paquistão.

Uma segunda pessoa, de 33 anos, foi levada sob custódia policial "a fim de realizar uma série de verificações" sobre "suas relações com o principal autor", disse Ricard.

A investigação judicial aberta por "tentativa de homicídio em conexão com o terrorismo" e "associação criminosa terrorista" foi confiada à Polícia Judiciária de Paris e à Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI).

O ataque ocorreu "em um lugar simbólico", "no momento em que está ocorrendo o julgamento dos cúmplices dos autores de atos indignos contra o Charlie Hebdo", ressaltou Jean Castex, que lembrou o "compromisso inabalável" do governo "com a liberdade de imprensa" e "a sua vontade resoluta de lutar por todos os meios contra o terrorismo".

O ataque ocorre em um momento em que a equipe editorial do Charlie Hebdo está sob novas ameaças desde que republicou em 2 de setembro charges de Maomé, por ocasião da abertura do julgamento dos ataques de janeiro de 2015.

Após uma breve suspensão do julgamento nesta sexta-feira, a audiência foi retomada sem qualquer menção pelo tribunal especial de Paris sobre o ataque, segundo um jornalista da AFP.

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