Publicado 25 de Setembro de 2020 - 8h44

Por AFP

Hoang estava tão acostumado a dormir fora de casa que uma noite, sem levantar suspeitas, arrumou suas coisas e deixou o apartamento da família que o hospedava. Pouco depois, o jovem de Hong Kong, de 16 anos, foi detido pela guarda costeira chinesa no mar quando fugia para Taiwan.

Hoang é o mais jovem dos "12 de Hong Kong", como a imprensa se refere aos que, tendo optado por uma fuga perigosa, estão, desde que seu barco foi interceptado, nas mãos da Justiça chinesa.

A maioria estava sendo processada por envolvimento na histórica mobilização de 2019 na ex-colônia britânica. Enquanto isso, Pequim continua reforçando seu controle sobre a cidade, que supostamente tem um alto grau de autonomia.

Acusado de lançar um coquetel molotov durante as manifestações do ano passado, Hoang foi acusado de tentativa de incêndio criminoso. A AFP decidiu não revelar sua verdadeira identidade.

Há tempos ele mantinha relações complicadas com sua família e, à espera de seu julgamento em Hong Kong, morava com pessoas que compartilhavam de seu compromisso pró-democracia.

"Na primeira vez que nos encontramos ele mal falava", lembra Diana, que lhe ofereceu um lugar para ficar durante três meses e esteve com ele durante sua última noite na megalópole.

"Era difícil vê-lo, porque parece que ele queria se proteger e tinha dificuldades com pessoas que não conhecia", acrescenta Diana, que também usa um pseudônimo.

Naquela noite, ela preparou um de seus pratos favoritos, arroz e sashimis, e após o jantar, depois de receber um telefonema, Hoang empacotou seus pertences.

Ela estava tão acostumada com Hoang indo de casa em casa que não se preocupou quando o viu partir na noite de 22 para 23 de agosto. No dia seguinte, na ausência de notícias, Diana ficou inquieta, assim como 11 outras famílias de Hong Kong.

Wong Wai-yin, um técnico de 29 anos, também não disse nada às pessoas próximas sobre seu projeto de fuga. Julgado em Hong Kong por fabricar explosivos, ele compareceu a todas as audiências judiciais.

Após seu desaparecimento, sua esposa e mãe vasculharam suas coisas e encontraram uma mensagem onde ele se desculpava caso algo acontecesse.

"Não mudei seu travesseiro desde que ele desapareceu", disse a esposa de Wong à AFP, que pediu para permanecer anônima. "Tenho tanto medo do dia em que o cheiro dele desapareça", acrescenta com tristeza.

Rumores começaram a circular rapidamente, especialmente em fóruns online usados por ativistas pró-democracia.

A confirmação da prisão veio em 26 de agosto, quando a China anunciou que 12 moradores de Hong Kong haviam sido presos por "atravessar ilegalmente a fronteira".

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AFP