Publicado 24 de Setembro de 2020 - 20h42

Por AFP

O debate sobre a diversidade em Hollywood chegou nesta quinta-feira ao Congresso americano, com uma audiência em que atores pediram que se vá além de sucessos ocasionais como "Pantera Negra" e denunciaram "a infecção pela cultura do cancelamento".

A audiência foi realizada em meio a um debate profundo sobre o racismo no país, depois que a morte de George Floyd provocou uma onda de protestos inédita.

"Houve uma mudança, claro que Pantera Negra, "Hamilton" e "Podres de Ricos" arrecadaram muito dinheiro", comentou a atriz Erika Alexander. "No entanto, para cada exceção extraordinária como estas, há centenas de filmes medíocres com elencos brancos que recebem o sinal verde", lamentou a atriz, assinalando que a falta de diversidade leva a uma "pandemia de exclusão" na cultura.

O ator de origem coreana Daniel Dae Kim - conhecido por seus papéis na série "Lost" e em filmes como "Hellboy" e "Homem-Aranha 2", disse que a indústria dos veículos de massa é uma forma de "plantar pensamentos". "Da mesma forma que o cigarro é um sistema para injetar nicotina, nossos meios são um sistema para implantar valores", assinalou.

O deputado democrata Jerry Nadler, presidente do Comitê Judicial que organizou a sessão, destacou que, em 2019, os atores negros, latinos, asiáticos ou indígenas obtiveram apenas 27% dos papéis de protagonista, quando esta população representa cerca de 40% dos americanos. "A melhor forma de haver diversidade na frente das telas é haver diversidade por trás das câmeras."

O deputado republicano Jim Jordan rebateu e disse que a audiência no Congresso é uma prova de que "ninguém está a salvo da cultura do cancelamento".

A cantora Joy Villa - apoiadora ativa do presidente Donald Trump - denunciou que as opiniões conservadoras do mesmo prejudicaram Hollywood e afirmou que a cultura do cancelamento "é uma epidemia". "A intolerância política silencia vozes de americanos", criticou a artista.

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