Publicado 24 de Setembro de 2020 - 19h49

Por AFP

O tempo é cada vez mais curto se os países europeus não quiserem reviver a situação sanitária de março, estimou a União Europeia (UE) nesta quinta-feira, coincidindo com novas medidas de restrição em Espanha, França e Reino Unido, que, em alguns casos, esbarram no descontentamento dos cidadãos.

Nas palavras da comissária de Saúde do bloco, Stella Kyriakides, os Estados membros devem reforçar "imediatamente" as medidas de controle e proteção para frear uma segunda onda da pandemia.

"Talvez seja a última chance de evitar a repetição da situação da primavera passada" (hemisfério norte), afirmou a comissária, que considera a situação "realmente preocupante".

"Não podemos baixar a guarda. Esta crise não foi superada", insistiu, antes de recordar que o inverno, que começará em breve na Europa, "é o período do ano em que temos mais doenças respiratórias".

Na mesma linha, o Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) afirmou nesta quinta-feira que sete países da UE (Espanha, Romênia, Bulgária, Croácia, Hungria, República Tcheca e Malta) registram uma evolução da pandemia de covid-19 que provoca uma "grande preocupação" e um risco elevado de mortalidade.

Estes países mostram uma "proporção mais elevada de casos graves ou de hospitalizações", com uma alta da mortalidade "constatada" ou que "pode acontecer em breve".

No total, a Europa superou a marca de cinco milhões de contágios de covid-19 e a pandemia matou quase 228.000 pessoas no continente.

Em todo o mundo, a pandemia provocou mais de 978.000 mortes desde o fim de dezembro e infectou quase 32 milhões de pessoas, de acordo com um balanço da AFP com base em números oficiais dos países.

Kyriakides destacou que a flexibilização das medidas de controle durante o verão europeu levou a "um aumento do número de casos".

O mesmo aconteceu em Israel, que respeitou durante meses um confinamento que conseguiu frear a pandemia, mas viu uma disparada dos números com a flexibilização das restrições. O cenário levou o governo decidir por um confinamento mais severo.

"Se não tomarmos medidas imediatas e estritas vamos cair em um abismo", afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A partir de sexta-feira às 14H00 (8H00 de Brasília) as sinagogas permanecerão fechadas, exceto para o Yom Kippur (Dia do Perdão, celebrado no domingo à noite e segunda-feira), apenas os setores de trabalho considerados "essenciais" poderão seguir funcionado e as reuniões a céu aberto serão limitadas a 20 pessoas e a menos de um quilômetro da residência.

As autoridades também estão avaliando o fechamento do aeroporto internacional Ben Gurion de Tel Aviv.

As medidas anunciadas pelo governo de Netanyahu foram criticadas em Israel, como acontece em outros países que adotam restrições ante a segunda onda.

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