Publicado 24 de Setembro de 2020 - 12h24

Por AFP

Grigori Kuksin move com uma pá a terra fumegante de um pântano na Sibéria. Junto a um pequeno grupo de voluntários, este bombeiro russo combate o temido incêndio, que resiste durante o inverno, e uma verdadeira "bomba climática".

"São incêndios subterrâneos, incêndios zumbis (ou hibernantes)", explicou à AFP o profissional de 40 anos, chefe da unidade contra incêndios florestais da ONG Greenpeace.

É preciso entrar na reserva natural de Suzunski, 130 km ao sul de Novosibirsk, a terceira maior cidade da Rússia, para chegar ao local do incidente: um vasto pântano coberto de urtigas, cânhamo e rodeado por uma densa floresta de pinheiros.

Aqui, a turfa - material fóssil fruto da lenta decomposição das plantas em um ambiente úmido - leva cerca de cinco anos para ser consumida, estima Kuksin.

A mais de um metro de profundidade, o fogo resiste aos invernos siberianos graças à seca que atinge essa região com uma frequência cada vez maior.

"Mas a turfa nunca queima sozinha, o homem sempre é o responsável", destaca Kuksin. Uma ponta de cigarro mal apagada é suficiente para iniciar a combustão, que será mantida no subsolo durante anos.

Depois do inverno, quando o calor volta, o fogo da turfa ressurge para a superfície, queimando a grama seca e podendo se espalhar por toda a floresta.

Muitos cientistas concordam que a Sibéria e o Ártico estão entre as regiões mais expostas à mudança climática. Nos últimos anos, registraram recordes de calor e incêndios gigantescos.

Os incêndios das tufas (pântanos ácidos) representam uma nova ameaça ao clima, já que a turfa, quando queimada, libera grandes quantidades de dióxido de carbono.

"É uma bomba climática", afirma Grigori Kuksin. Para ele, é um ciclo vicioso: os distúrbios climáticos acentuam a seca, favorecendo os incêndios nas turfeiras e liberando gases que afetam as mudanças climáticas.

"Lutamos tanto contra as consequências das mudanças climáticas quanto contra suas causas", resume.

Os incêndios em pântanos geralmente são mais difíceis de extinguir do que os florestais convencionais.

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AFP