Publicado 24 de Setembro de 2020 - 11h54

Por AFP

Diego Rivera refletiu na obra sua paixão por María Félix. Uma pintura a óleo da diva mexicana seminua que desapareceu após a morte de seu último dono, o cantor e compositor Juan Gabriel, há quatro anos.

Consagrado como um dos grandes nomes da pintura mexicana, Rivera não conseguiu, no entanto, roubar o coração de "La Doña", que posou para esta obra em 1949.

O muralista a retratou em um vestido branco sensual, cujos efeitos transparentes mal escondiam sua nudez.

A atriz (1914-2002) não gostou, porque mostrava "pele demais".

"Ele me pintou como quis, nua. Como estava apaixonado", contou Félix em entrevista ao jornalista Jacobo Zabludovsky em 1994, quando já tinha 80 anos.

Seu quarto e último marido, o francês Alex Berger, também não gostava da pintura, cujo paradeiro hoje é incerto após chegar às mãos de um político acusado de corrupção.

"Tem uma perna de pau, parece que está sentada no vaso sanitário, está horrível", evocou a diva do cinema mexicano, citando Berger.

Tal era a inconformidade que Félix certa vez pediu a um funcionário que trabalhava em sua casa para modificar o retrato.

"Mandei ele passar umas pinceladas de branco (...) pra cobrir um pouco", confessou.

A artista finalmente deu a tela a Alberto Aguilera, nome verdadeiro de Juan Gabriel, segundo pessoas próximas ao compositor falecido em 28 de agosto de 2016, aos 66 anos.

Uma foto mostra o "Divo de Juárez", posando em um sofá com a pintura ao fundo.

Meses antes de morrer, o intérprete entregou o retrato a seu amigo César Duarte, preso nos Estados Unidos desde julho passado por supostamente desviar US$ 52 milhões de fundos públicos quando era governador de Chihuahua (2010-2016).

"A última notícia que tivemos, foi que o ex-governador estava com a pintura", disse à AFP Guillermo Pous, inventariante da cantora.

Segundo Pous, Juan Gabriel entregou o quadro a Duarte - cuja extradição o México está buscando -, porque sua casa em Guanajuato (centro) estava desabitada e ele temia um assalto.

Segundo ele, a obra está avaliada em sete milhões de dólares.

Pous garante que o político confirmou que estava com a tela, mas, depois de fugir do país, perdeu o contato com ele e teve que pedir a ajuda de um terceiro.

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