Publicado 24 de Setembro de 2020 - 10h53

Por AFP

O ativista Joshua Wong, um dos rostos mais conhecidos do movimento pró-democracia em Hong Kong, foi detido por algumas horas nesta quinta-feira, por "reunião ilegal" durante um protesto organizado em outubro de 2019 no território semiautônomo, e prometeu continuar com a resistência.

Wong, 23 anos, indicou no Twitter que foi acusado de violar a "lei que proibia o uso de máscara" para ocultar o rosto, aprovada na época pelo governo local para tentar enfraquecer as manifestações e que foi posteriormente declarada inconstitucional.

O advogado de Wong afirmou que o jovem foi detido quando se apresentou a uma delegacia, o que tem a obrigação jurídica de fazer periodicamente por outro caso judicial em curso.

Wong, que em 2014 foi o principal rosto do "Movimento dos Guarda-Chuvas", está sendo processado em outros dois casos relacionados com seu ativismo.

A detenção coincide com um aumento do controle da China sobre Hong Kong desde junho, graças fundamentalmente a uma lei sobre segurança nacional que é vista como uma resposta à crise política de 2019.

Atualmente, o uso de máscara é obrigatório nos locais públicos de Hong Kong para evitar a propagação do coronavírus, mas há um ano era proibido cobrir o rosto nas ruas, algo que ampliou ainda mais os protestos no momento em que a ex-colônia britânica registrava grandes manifestações, um movimento inédito desde sua devolução à China, em 1997.

"Wong é suspeito de ter participado em uma reunião ilegal, em 5 de outubro do ano passado, data em que centenas de pessoas saíram às ruas para opor-se à norma de uso das máscaras estabelecida pelas autoridades em virtude de normas de emergência da época colonial", explicou Jonathan Man, advogado do ativista.

Ao proibir que os manifestantes cobrissem os rostos, as autoridades locais facilitavam o trabalho da polícia e dissuadiam alguns jovens de participar nos protestos.

As autoridades locais invocaram leis de 1922, que não eram utilizadas desde 1967, para justificar a proibição do uso de máscaras nas manifestações.

Um porta-voz da polícia confirmou que Wong foi detido por "participar de modo consciente de uma reunião ilegal" enquanto violava a proibição do uso de máscara.

"Aconteça o que acontecer, vou continuar resistindo e farei com que o mundo saiba que é assim que os habitantes de Hong Kong decidem não se render", disse Joshua Wong à imprensa ao sair da delegacia.

Reagindo à prisão, a União Europeia (UE) afirmou que a detenção de Wong mina a confiança do bloco na China e poderá ter consequências para o relacionamento bilateral.

"A evolução da situação em Hong Kong questiona a vontade da China de respeitar os compromissos internacionais, mina a confiança e tem repercussões nas relações entre UE e China", afirmou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, em um comunicado.

A UE destaca que "um sistema judicial independente, que opere livre de influência ou consideração política, é uma pedra fundamental da autonomia de Hong Kong sob o princípio de um país, dois sistemas", que rege as relações com a China.

Para a UE, a detenção de Wong se une a de outros ativistas nops últimos meses e deveriam ser objeto de "uma análise cuidadosa por parte do Poder Judiciário".

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