Publicado 24 de Setembro de 2020 - 9h12

Por AFP

A cidade de Moscou registrou nesta quinta-feira o maior número de novos casos diários de coronavírus desde o final de junho, aumentando os temores de uma segunda onda no quarto país mais afetado pela pandemia.

As novas infecções diárias estavam relativamente estáveis na capital há mais de dois meses, em torno de 600-700, mas os números começaram a aumentar a partir de 15 de setembro.

Nesta quinta-feira, Moscou registrou 1.050 novos casos, a maior alta desde 23 de junho.

Segundo a prefeitura, a situação continua "sob controle", com 60% dos leitos hospitalares vagos e uma reserva de medicamentos e equipamentos médicos.

"Nada terminou ainda, a pandemia continua. Estamos vendo como é difícil nos países europeus. Em Moscou, não é o caso", afirmou o prefeito de Moscou, Serguei Sobianine, na semana passada.

A Rússia registrou 6.595 novos casos nas últimas 24 horas, com um balanço total desde o início da pandemia de 1.128.836 contágios e 19.948 mortes.

A maior parte desse aumento ocorreu na capital e em sua região, e na segunda cidade do país, São Petersburgo.

Em 1º de setembro, o país ultrapassou um milhão de contaminações.

As autoridades russas impuseram um longo confinamento durante a primavera (hemisfério norte), especialmente em Moscou, que foi suspenso no início de junho na capital e, dependendo da situação, também em outras regiões.

As fronteiras, fechadas desde o final de março, só foram reabertas para pessoas procedentes de alguns países.

No início de agosto, a Rússia anunciou que desenvolveu a "primeira" vacina contra a covid-19, concebida pelo centro de pesquisas Gamaleya.

Neste contexto, cosmonautas russos que devem decolar em 14 de outubro para a Estação Espacial Internacional (ISS) disseram nesta quinta-feira que não querem receber a vacina anunciada por Moscou como uma cura para a covid-19, por falta de confiabilidade.

"Pessoalmente, diria que não vou ser vacinado, porque sou muito cuidadoso com esta questão", disse em coletiva de imprensa na Cidade das Estrelas o capitão Serguei Ryzhikov.

"Os cosmonautas não são livres para decidirem sobre a sua saúde, são os médicos que decidem sobre a vacinação", explicou por sua vez o engenheiro de bordo da futura tripulação, Serguei Kud-Svertchkov.

"A decisão de recomendar a vacinação aos cosmonautas só será tomada quando a vacina for testada e estiver claro que é confiável", acrescentou.

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