Publicado 24 de Setembro de 2020 - 8h42

Por AFP

As equipes de resgate australianas se viram obrigadas a praticar a eutanásia em algumas baleias que sobreviveram depois que ficaram encalhadas em uma baía da Tasmânia, onde já morreram 380 animais.

A corrida contra o tempo começou com a descoberta dos animais há quatro dias, quando as baleias-piloto encalharam nos bancos de areia de Macquarie Harbour, na costa oeste da ilha da Tasmânia: os socorristas salvaram 88 animais.

Mas o número de vítimas fatais pode aumentar porque as possibilidades de sobrevivência diminuem a cada hora que passa.

"Ainda tempos alguns animais que continuam vivos e que acreditamos que estão em condições de deslocamento", afirmou Nic Deka, diretor de Parques Naturais da Tasmânia.

Os socorristas, cujo trabalho é "fisicamente exaustivo", continuarão com as operações de regate até sexta-feira, completou.

"Estamos concentrados naquelas que parecem ser as mais viáveis e com as quais temos mais possibilidades de êxito", declarou Deka.

Quase 60 pessoas, entre especialistas em proteção do meio ambiente e trabalhadores de unidades de pisciculturas locais, passaram horas nas águas geladas de Macquarie Harbour, em meio aos gritos dos cetáceos moribundos.

"É comovente", disse Sam Thalmann, um socorrista.

"As pessoas estão com água até a cintura ou no peito. Há animais nadando ao redor, emitindo sons. Vemos as relações que têm entre eles e com os que formam um casal".

As baleias-piloto, que podem medir até seis metros de comprimento e pesar uma tonelada, são muito sociáveis.

Algumas resistiram aos dispositivos utilizados para salvá-las e tentaram retornar a suas famílias depois que foram liberadas, o que provocou o segundo encalhe.

O nível de angústia de algumas baleias-piloto é tamanho que as autoridades advertiram que estão considerando sacrificá-las para reduzir o sofrimento.

"Estamos estudando a possibilidade de eutanásia em alguns animais que tentamos liberar sem êxito", afirmou Kris Carlyon, biólogo marinho do departamento de Meio Ambiente da Tasmânia.

"Apenas por razões de bem-estar animal", disse. "Sempre é algo em que pensamos e apenas usamos em caso de necessidade".

Os socorristas se concentravam nesta quinta-feira em um grupo de 20 a 25 cetáceos, parcialmente submersos, utilizando barcos com cabos conectados para escoltá-los mar adentro.

Os coordenadores das operações também estão refletindo sobre a maneira de retirar os cadáveres dos quase 400 mamíferos mortos.

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