Publicado 23 de Setembro de 2020 - 11h02

Por AFP

O governo alemão aprovou oficialmente, nesta quarta-feira (23), a suspensão em 2021 de suas regras de disciplina orçamental, depois de já tê-lo feito para 2020, e terá de recorrer a empréstimos pelo segundo ano consecutivo, face ao impacto da covid-19.

"Em 2020 e 2021, seremos obrigados a pedir ao Bundestag (parlamento) que nos autorize a tomar emprestado um valor particularmente alto", disse o ministro das Finanças, Olaf Scholz, após a aprovação do projeto de orçamento 2021.

Berlim vai contrair 96,2 bilhões de euros (112,4 bilhões de dólares) de nova dívida em 2021, após o montante recorde de 217,8 bilhões de euros (253 bilhões de dólares) em 2020, o que implica abandonar, pelo segundo ano consecutivo, este rigor que tanto caracteriza as finanças alemãs.

O "freio da dívida", inscrito na Constituição alemã desde 2011, proíbe o governo federal de tomar emprestado mais de 0,35% do PIB a cada ano.

Em casos excepcionais, porém, o Executivo pode solicitar autorização à Câmara dos Deputados para ultrapassar esse limite.

"A partir de 2022, voltaremos a respeitar essas regras de endividamento", disse o ministro, argumentando que, neste momento de crise, "não é possível economizar dinheiro".

Em março, Berlim teve de socorrer sua economia, devido ao terrível efeito da pandemia do coronavírus. As autoridades alemãs liberaram mais de 1 trilhão de euros (1,17 trilhão de dólares) em ajudas às empresas. Diante da gravidade da crise, esse sistema foi prorrogado até agosto.

O país também lançou um plano de recuperação, denominado plano de investimento "futuro", no valor de 130 bilhões de euros (152 bilhões de dólares).

O projeto de orçamento será agora submetido ao Parlamento alemão para adoção final. O governo estima que o PIB cairá 5,8% neste ano e espera um crescimento de 4,4% para 2021.

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