Publicado 23 de Setembro de 2020 - 10h22

Por AFP

A pequena peregrinação muçulmana a Meca, conhecida como Umrah e suspensa desde março devido ao coronavírus, será retomada gradualmente a partir de 4 de outubro, anunciou o Ministério do Interior da Arábia Saudita na terça-feira (22).

Em uma primeira etapa, "6.000 cidadãos (sauditas) e residentes (estrangeiros) do reino poderão fazer a Umrah todos os dias, a partir de 4 de outubro", informou o ministério em um comunicado divulgado pela agência de notícias oficial saudita SPA.

Os muçulmanos procedentes do exterior poderão fazê-la a partir de 1º de novembro, quando o número de peregrinos admitidos aumentará para 20.000 por dia, acrescenta.

A decisão de retomar a Umrah foi tomada em resposta aos apelos "dos muçulmanos do país e do exterior" para visitar os locais sagrados, afirmou o Ministério do Interior.

A medida afeta as cidades de Meca e Medina, os dois lugares mais sagrados do Islã.

No início de março, a Arábia Saudita suspendeu "temporariamente" a Umrah, uma peregrinação que atrai todos os anos milhões de pessoas à Arábia Saudita e pode durar o ano todo. A medida sem precedentes tinha como objetivo prevenir a propagação do coronavírus.

As autoridades também decidiram modificar o Hajj - a grande peregrinação a Meca -, que ocorreu este ano entre o final de julho e início de agosto.

Apenas de 10.000 fiéis, residentes na Arábia Saudita, puderam realizar a grande peregrinação, contra quase 2,5 milhões de participantes de todo o mundo em 2019.

Riad esperava receber 30 milhões de peregrinos todos os anos de agora até 2030.

As autoridades de saúde afirmaram que não foram registrados casos de coronavírus nos locais sagrados durante o Hajj, um dos cinco pilares do Islã.

Os peregrinos deram a volta na Kaaba - uma estrutura cúbica no interior da Grande Mesquita de Meca, em direção a qual muçulmanos de todo o mundo rezam - seguindo caminhos que preservavam a distância física. Suas temperaturas também foram medidas e eles foram solicitados a ficar em quarentena após o ritual.

O rei Salmán, de 84 anos, declarou que realizar o Hajj em meio a uma pandemia exigia "um esforço duplo" por parte das autoridades sauditas.

As peregrinações do Hajj e da Umrah apresentam um grande desafio logístico, com multidões aglomeradas em locais sagrados relativamente pequenos.

O reino tentou conter um pico de infecções em seu território, com mais de 330.000 casos, o maior número do Golfo, e mais de 4.500 mortes. Mais de 312.000 pessoas infectadas foram declaradas recuperadas.

O turismo religioso, que movimenta 12 bilhões de dólares a cada ano segundo os dados do governo, é fundamental para as finanças sauditas em um contexto de queda dos preços do petróleo, já que o país é o primeiro exportador do mundo.

Escrito por:

AFP