Publicado 22 de Setembro de 2020 - 20h02

Por AFP

Em pronunciamento em vídeo transmitido em Nova York para a abertura da Assembleia Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre os incêndios que afetam a Amazônia e o Pantanal e defendeu a atuação de seu governo durante a crise de saúde provocada pela covid-19.

Abaixo, a AFP Checamos analisou algumas das principais declarações do mandatário durante o seu discurso.

"Desde o princípio alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade": Falso

Não é verdade que Bolsonaro alertou "desde o princípio" para a necessidade de combater o novo coronavírus.

No dia em que o Brasil registrou a primeira morte pela doença, em 17 de março, Bolsonaro indicou ver "histeria" em algumas medidas implementadas para reduzir a sua propagação.

Em pronunciamento em 24 de março, quando o Brasil registrava 46 óbitos e mais de 2.200 casos confirmados de covid-19, o presidente se referiu à doença como uma "gripezinha".

No mesmo mês, saiu para passear em Brasília, provocando pequenas aglomerações - já desencorajadas na época - e disse que o vírus precisaria ser enfrentado mas que "todos nós iremos morrer um dia".

"Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da federação. Ao presidente coube envio de recursos e meios a todo o país.": Enganoso

O Supremo Tribunal Federal (STF) efetivamente julgou ações determinando a prerrogativa de estados e municípios no estabelecimento de medidas de combate à pandemia. As decisões não excluíam, contudo, a capacidade da União de adotar ações para enfrentar a crise.

Em entrevista em junho deste ano, a ministra do STF Cármen Lúcia explicou que a corte entendeu que tanto os estados e municípios, quanto a União, têm responsabilidade no enfrentamento da pandemia.

"[Nosso governo] concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente mil dólares para 65 milhões de pessoas.": Exagerado

Segundo dados oficiais, o auxílio emergencial realmente foi entregue a mais 65 milhões de pessoas. O valor do benefício em dólar foi, no entanto, exagerado pelo presidente. Desde abril, o governo pagou cinco parcelas de R$ 600 aos beneficiários. Em setembro, o auxílio foi prorrogado, e contará com mais quatro parcelas de R$ 300.

As parcelas, incluindo as que ainda não foram pagas, somam R$ 4.200 ( USD 773, segundo câmbio do Banco do Brasil). O valor é cerca de 20% menor do que o citado por Bolsonaro.

O valor supera, no entanto, o pago a mães solteiras provedoras da família, que tem direito a receber todas as parcelas em dobro, totalizando R$ 8.400, ou cerca de U$ 1.546. O governo não divulgou quantas mães solteiras receberam este benefício mas, segundo o IBGE, o Brasil possuía 11,6 milhões de famílias de mulheres sem cônjuge e com filhos em 2015.

"Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender os pacientes de covid-19": Falso

Em abril deste ano, um informe do Ministério da Saúde destacava que o Brasil ainda não tinha a quantidade suficiente de respiradores, leitos de terapia intensiva, pessoal qualificado e testes diagnósticos para fazer frente à "fase mais aguda" da pandemia do novo coronavírus.

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