Publicado 22 de Setembro de 2020 - 18h32

Por AFP

A médica Haydalic Urbano, 25, sonhava com aulas de passarela na emblemática Quinta do Miss Venezuela, em Caracas, mas, este ano, as 22 candidatas do concurso de beleza tiveram que se conformar com aulas remotas, devido à pandemia de coronavírus.

Quando o concurso for ao ar, tudo terá sido gravado, sem a participação do público. Conhecidos apenas por candidatas e produtores, os nomes das vencedoras serão mantidos em sigilo até a noite do próximo dia 24.

Em sua época de ouro, o evento de mais longa tradição da indústria do entretenimento venezuelana atraía milhares de pessoas, em um espetáculo apoteótico exibido ao vivo.

"Foi um pouco complicado assistir remotamente às aulas de passarela, porque sonhava em ir à Quinta (sede do concurso) todos os dias, mas nos adaptamos, não me arrependo de ter participado do concurso durante uma pandemia", comentou Haydalic.

Seguindo as medidas sanitárias, a maioria dos ensaios foram feitos pelo Instagram, Zoom ou WhatsApp. "Acho que o mais difícil foram os ensaios via Zoom para a abertura, mas tivemos que nos adaptar, e conseguimos fazer um show maravilhoso", comentou a comunicadora social Luiseth Materán, 24.

Esta não é a primeira vez que o Miss Venezuela sofre um revés. Em suas últimas edições, o concurso teve que se ajustar a um estilo mais austero, devido à crise que leva a Venezuela para o sétimo ano de recessão.

Nesta edição, "tudo isso foi modificado pelo confinamento", assinalou a gerente geral do concurso, Nina Sicilia, primeira venezuelana a receber a coroa do Miss Internacional, em 1985.

O confinamento foi interrompido apenas para as gravações destinadas a produzir o programa, antecipadas por sessões de cabelo e maquiagem. Este ano, os integrantes da produção trabalharam protegidos por máscaras, e tanto funcionários quanto candidatas fizeram o teste de Covid-19.

A expectativa é alta para um concuso do qual saíram sete ganhadoras do Miss Universo, seis do Miss Mundo e oito do Miss Internacional.

Embora aquela que é considerada a "noite mais linda" da Venezuela não vá contar com a presença do público pela primeira vez em sua história, a estudante de comunicação social Lisandra Chirinos, 24, disse ter aproveitado a experiência: "Gostaria de ter tido um pouquinho desse contato físico com o público, com minhas companheiras, mas me sinto feliz por ter feito parte desta história."

Valentina Sánchez, 24, formada em Comércio Internacional, acredita que as misses conseguirão "levar um pouco de alegria" a muitos lares venezuelanos.

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