Publicado 22 de Setembro de 2020 - 14h22

Por AFP

A juíza Bárbara Lagoa tem o típico perfil de Miami: nasceu nesta cidade da Flórida, é filha de pais que fugiram do governo comunista de Fidel Castro e cresceu bilíngue e conservadora. Agora, poderá ser a primeira juíza de origem cubana na Suprema Corte dos Estados Unidos.

O presidente Donald Trump confirmou na segunda-feira que Bárbara, de 52 anos, é um dos cinco juízes selecionados para substituir Ruth Bader Ginsburg, a progressista e feminista juíza da Suprema Corte falecida na última sexta-feira, aos 87 anos.

Bárbara Lagoa é membro da Corte de Apelações de Atlanta, foi juíza da Suprema Corte da Flórida e defendeu gratuitamente a família do "balserito" Elián González em Miami, há 20 anos.

Se nomeada, será a segunda hispânica, depois de Sonia Sotomayor, de origem porto-riquenha, entre os nove juízes que compõem o mais importante tribunal dos Estados Unidos. Ela também será a única conservadora das três magistradas.

"Ela é excelente. Ela é hispânica. Ela é uma mulher maravilhosa, pelo que eu sei. Eu não a conheço. Flórida, nós amamos a Flórida", disse Trump à Fox na segunda-feira.

A maioria dos modelos de previsão eleitoral mostra que, em 3 de novembro, Trump não poderá permanecer na Casa Branca, se não vencer na Flórida.

A última vez que um republicano realizou esse feito foi há quase 100 anos, quando Calvin Coolidge conquistou a presidência sem conquistar a Flórida, em 1924.

As pesquisas indicam um empate técnico entre Trump e seu rival democrata, Joe Biden, que luta para atrair o voto dos cubano-americanos, um importante eleitorado historicamente republicano no Estado do Sol.

Lagoa "pode ajudar Trump a consolidar seu apoio já substancial, aqui em Miami e na Flórida, entre os cubano-americanos", disse à AFP o diretor do Instituto de Pesquisa Cubana da Universidade Internacional da Flórida (FIU), Jorge Duany.

Mas sua posição sobre uma questão fundamental como o aborto é uma incógnita. No momento, sabe-se que "ela tem um histórico muito conservador", acrescentou o especialista.

Nascido em 1967, Bárbara Lagoa cresceu em Hialeah, uma localidade cubana de baixa renda no oeste de Miami. Seus pais fugiram do castrismo na segunda onda de imigração que, com o tempo, deu a esta cidade do sul da Flórida um toque cubano peculiar.

Mãe de três filhas, ela estudou em uma escola católica em Hialeah e depois na FIU, antes de se formar como advogada na prestigiosa Universidade de Columbia em Nova York, em 1992.

Lagoa fez parte da equipe jurídica que representou os familiares em Miami de Elián González, o menino de 5 anos que foi reivindicado por seu pai em Cuba após a morte da mãe. Ela faleceu no naufrágio da balsa, com a qual fugiu da ilha com seu filho, no final de 1999.

Fidel Castro acabou vencendo o cabo de guerra com Washington, e o menino foi devolvido a Havana pelas autoridades americanas em junho de 2000.

"Foi um caso muito conhecido, e tenho certeza de que conquistou o apoio de muitos políticos locais em Little Havana", comentou Duany.

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