Publicado 22 de Setembro de 2020 - 13h42

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU que a China seja responsabilizada pela pandemia de coronavírus, enquanto o chefe da organização alertou para o risco de uma "Guerra Fria" entre as duas potências mundiais.

A seis semanas das eleições presidenciais em que buscará a reeleição, e atrás de seu rival democrata Joe Biden nas pesquisas, Trump voltou a se referir à covid-19 como "o vírus chinês".

O presidente chinês, Xi Jiping, garantiu, por sua vez, que a China não tem intenção de entrar em uma "Guerra Fria" e lamentou a "politização" da luta contra a covid-19.

"Devemos responsabilizar as nações que soltaram esta praga no mundo, a China", disse Trump em um discurso virtual e pré-gravado em razão da pandemia.

"Aqueles que atacam o excepcional desempenho ambiental dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que ignoram a poluição galopante na China, não estão interessados no meio ambiente. Só querem punir os Estados Unidos", afirmou.

O presidente americano, que já havia denunciado como a China silenciou inicialmente os primeiros casos de coronavírus no final do ano passado na cidade de Wuhan, anunciou que vai retirar seu país da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O governo chinês e a OMS - que é virtualmente controlada pela China - declararam falsamente que não havia evidência de transmissão de pessoa para pessoa", disse Trump, em referência às declarações da OMS no início da pandemia, que foram corrigidas posteriormente.

Os críticos asseguram que Trump procura transferir a culpa por sua gestão da crise nos Estados Unidos, onde a doença já matou mais de 200.000 pessoas, mais do que em qualquer outro país.

Biden garante que manterá os Estados Unidos na OMS, se vencer as eleições de 3 de novembro.

Diante da pandemia do coronavírus, o mundo deve "fazer todo o possível para evitar uma nova Guerra Fria", alertou o chefe da ONU, António Guterres, ao abrir a 75ª Assembleia Geral da entidade.

"Estamos caminhando em uma direção muito perigosa", alertou, denunciando a crescente rivalidade entre China e Estados Unidos no mundo.

"Nosso mundo não pode se dar ao luxo de um futuro em que as duas maiores economias dividam o planeta em uma Grande Fratura, cada uma com suas próprias regras comerciais e financeiras e capacidades de Internet e de Inteligência Artificial", apontou.

Guterres também criticou os nacionalismos ao lidar com a pandemia, sem mencionar Trump, ou outros líderes.

"O populismo e o nacionalismo fracassaram. Essas abordagens para conter o vírus muitas vezes pioraram as coisas significativamente", disse ele.

Já o presidente Jair Bolsonaro, que chegou a ter covid-19, usou seu discurso, o primeiro segundo a tradição, para denunciar que o Brasil "é vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal", regiões atualmente devastadas por incêndios.

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