Publicado 22 de Setembro de 2020 - 11h46

Por AFP

Toque de recolher para bares e restaurantes, ampliação da obrigatoriedade do uso de máscaras, restrições aos esportes, aumento das multas e policiais nas ruas: o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou nesta terça-feira (22) novas medidas contra o coronavírus, após o aumento do número de casos no Reino Unido.

Muito criticado no início da pandemia pela demora na resposta, o líder conservador parece agora determinado a assumir o controle total ante a ameaça de segunda onda.

Ele sofre, porém, a pressão de círculos empresariais e, segundo a imprensa, de parte de seu governo para não impor medidas muito drásticas que voltem a paralisar uma economia já abalada.

"Quero destacar que isto não é de nenhuma maneira um retorno ao confinamento de março e não estamos dando instruções gerais para que permaneçam em casa", declarou o premiê na Câmara dos Comuns, em uma tentativa de tranquilizar o país.

À noite, discursará à nação para explicar as novas restrições, que provavelmente devem durar seis meses.

"Mas devemos tomar medidas para suprimir a doença", completou", acrescentando que escolas e empresas poderão permanecer abertas com o respeito das regras.

Portanto, depois de pressionar recentemente para que os trabalhadores voltassem aos escritórios e ressuscitassem os centros urbanos, ele pediu a todos que tiverem condições que voltem a trabalhar de casa.

Além disso, a partir de quinta-feira (24), pubs, bares e restaurantes serão limitados a servir apenas nas mesas e deverão fechar as portas às 22h.

Em um país onde o uso de máscara não está muito propagado, a obrigação incluirá, a partir de agora, funcionários dos estabelecimentos comerciais, usuários de táxis e funcionários e clientes de restaurantes, exceto para comer e beber.

O governo cancelou o retorno do público aos eventos esportivos, previsto para 1o de outubro, e todas as práticas esportivas coletivas internas para adultos serão limitadas a seis pessoas.

A infração às regras será punida com "penas mais severas", advertiu o primeiro-ministro, que prometeu uma "presença policial maior nas ruas".

As multas de até 10.000 libras (13.000 dólares) para quem não cumpre as quarentenas serão aplicadas agora a estabelecimentos comerciais, ou a empresas, que não respeitarem as restrições. E não usar a máscara, ou participar de reuniões com mais de seis pessoas, será punido com 200 libras na primeira infração.

As novas medidas "são necessárias agora, mas não eram inevitáveis", afirmou o líder da oposição, o trabalhista Keir Starmer, que criticou a confusão criada por um governo que "um dia estimula as pessoas a voltarem aos escritórios e, no outro, fala o contrário".

Depois de acusar Johnson e seu governo de "incompetência", ele criticou a ausência de um sistema eficaz de testes e rastreamento. E advertiu que alguns lugares do país já impõem estas restrições há muito tempo e, mesmo assim, seus índices de contágio continuam elevados.

Embora tente evitar a qualquer custo um retorno do confinamento nacional, Johnson advertiu que, se todas as medidas não conseguirem reduzir os contágios, o governo "se reserva o direito de mobilizar uma potência de fogo maior, com restrições significativamente maiores".

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