Publicado 21 de Setembro de 2020 - 19h43

Por AFP

A Santa Sé e a China comunista se preparam para renovar um acordo histórico assinado há dois anos, que dá ao papa a última palavra na nomeação de bispos chineses, despertando a ira do governo americano.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump usa a repressão religiosa na China como um argumento para a campanha presidencial.

Seu secretário de Estado, Mike Pompeo, partiu para o ataque frontal ao Vaticano ao publicar no final da semana um tuíte e uma coluna denunciando as "horríveis" perseguições de crentes de todas as religiões na China que "revoltam" muitos países.

"Mais do que nunca, o povo chinês precisa do testemunho moral e da autoridade do Vaticano", disse ele na revista religiosa americana "First Things". Acrescentando que "o acordo entre a China e o Vaticano não protegeu os católicos contra as ações do partido".

O papa Francisco certamente acostumou os fiéis a denunciarem explicitamente muitas perseguições no planeta, mas adotou uma atitude diplomática de pequenos passos com Pequim, para unir uma Igreja chinesa dividida.

Os cerca de 12 milhões de católicos chineses - uma minoria muito pequena neste país de quase 1,4 bilhão de pessoas - estão divididos há décadas entre uma Igreja "patriótica" controlada pelo regime comunista e uma chamada Igreja "clandestina" que reconhece o autoridade do papa e muitas vezes é perseguida como tal.

Em 22 de setembro de 2018, o Vaticano selou um acordo "provisório" histórico com o regime comunista de Pequim, resultado de negociações intermináveis, cujo conteúdo exato nunca foi publicado.

O único ponto tangível anunciado na época: o papa Francisco reconheceu imediatamente oito bispos chineses nomeados por Pequim sem sua aprovação.

Dois anos depois, os resultados não são brilhantes para a diplomacia do Vaticano, mas dois novos bispos foram nomeados na China com o endosso final do líder dos 1,3 bilhão de católicos no planeta.

Antes, eles tinham que se tornar membros da Igreja Patriótica oficial, o que muitos antigos prelados perseguidos no passado ainda se recusam veementemente a fazer.

Em todo o mundo, é o papa quem decide sobre a nomeação dos bispos, homens que ele mesmo conheceu ou que lhe são recomendados pelas conferências episcopais nacionais.

Momento histórico em fevereiro de 2020: "ministros" das Relações Exteriores da China e do Vaticano se encontraram publicamente em um evento internacional, fato inédito em sete décadas.

As relações diplomáticas entre Pequim e a Santa Sé foram rompidas em 1951, dois anos depois que os comunistas chegaram ao poder.

O Vaticano também continua a manter relações diplomáticas com Taiwan. Um impasse, pois esta ilha de 23 milhões de habitantes é considerada por Pequim como uma província chinesa à espera da reunificação.

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