Publicado 21 de Setembro de 2020 - 19h38

Por AFP

A Itália aprovou, nesta segunda-feira (21), por referendo a redução do número de parlamentares, uma reforma histórica que reduzirá em um terço as cadeiras no Congresso.

O "sim" venceu com entre 60 e 64% dos votos, contra 36-40% para o "não", segundo pesquisa de boca de urna realizada pela emissora pública RAI.

O número de deputados e senadores passará de 945 para 600 na próxima legislatura, promessa eleitoral do Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema).

A Itália tem o segundo maior parlamento da Europa, atrás do Reino Unido (cerca de 1.400) e à frente da França (925).

Esta é uma boa notícia para o governo liderado por Giuseppe Conte, que espera resistir nas eleições realizadas no domingo e nesta segunda-feira em sete regiões, incluindo Toscana e Apúlia.

Os candidatos da extrema direita e da esquerda nessas duas regiões-chave tiveram bons resultados, de acordo com pesquisa de boca de urna realizada pelo canal de televisão Sky TG 24.

O candidato da esquerda para governar a Toscana (centro da Itália), Eugenio Giani, recebeu entre 41 e 45% dos votos, contra 38-42% para Susanna Ceccardi, candidata da Liga de extrema direita, de Matteo Salvini, com margem de erro de 3,1%.

A extrema direita italiana espera tomar a Toscana, reduto histórico da esquerda, cuja perda afetaria a credibilidade do governo.

Na Apúlia, Raffaele Fitto, eurodeputado do partido de direita Irmãos da Itália, que foi presidente da região quinze anos atrás, também aparece empatado com o atual presidente de esquerda Michele Emiliano, de acordo com pesquisas de boca de urna.

Mais de 54% dos italianos participaram no domingo e nesta segunda nas primeiras eleições realizadas desde o início da pandemia de coronavírus.

A votação começou na manhã de domingo e terminou hoje às 15h00 (12h de Brasília) e foi realizada respeitando um rígido protocolo de segurança devido ao aumento de casos de coronavírus no país.

Seis regiões - quatro controladas pela esquerda (Toscana, Campânia, Apúlia e Marche) e duas pela direita (Ligúria e Veneto) - elegeram seus presidentes.

O resultado eleitoral afetará a estabilidade do governo, que deve apresentar em Bruxelas seu plano nacional de reativação contra a pandemia.

A Itália é governada por uma coalizão formada há um ano entre o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrata (PD, centro-esquerda).

Os partidos de centro-direita e a extrema direita formaram uma frente comum com candidatos únicos para tentar conquistar regiões governadas pela esquerda.

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