Publicado 28 de Agosto de 2020 - 5h30

O compositor mineiro Tavinho Moura, um dos grandes nomes do Clube da Esquina, movimento que, nos anos 1960 e 1970, apresentou ao Brasil e ao mundo, artistas do naipe de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Flávio Venturini e ficou conhecido pelo alto nível técnico musical, se apresenta hoje no Sesc Campinas. No show, além das clássicas canções de seu repertório, o cantor toca aquelas de seu mais novo álbum, O Anjo na Varanda, que reúne composições com vários de seus velhos parceiros de outrora, em especial, Fernando Brant. No ahow Tavinho Moura (voz, violão, direção), divide o palco com Beto Lopes (violão) e Bárbara Barcellos (voz).

Lançado em 2017, O Anjo da Varanda traz uma safra singular de canções de um dos mais originais e sofisticados compositores brasileiros. E, na contramão dos tempos que correm, o álbum requer calma e concentração para ser devidamente apreciado. Como a imagem dos trapezistas no circo, na letra de Fernando Brant, “é tudo respirar, caminhar”.

Na produção Tavinho contou com o auxílio do músico mineiro Beto Lopes, que toca violão 7 cordas, baixo flats, baixo acústico, trompete e faz vocais em diversas faixas, além de dividir a autoria da canção A Música e o Circo, as ideias, a direção musical e a produção do álbum. Entre os parceiros letristas, o mais presente é o saudoso Fernando Brant. Outro amigo de longa data e parceiro é Ronaldo Bastos.

Natural de Juiz de Fora (MG), Otávio Augusto Pinto de Moura, ou simplesmente Tavinho Moura sempre respirou música: seu avô paterno, Francisco Otávio Brito de Moura, fabricou, sob encomenda e intuitivamente, uma viola com a carcaça de um bandolim; a música de Luiz Gonzaga não parava de tocar na rádio da casa nos anos de 1950; o pai João Valente tocava violão, assim como as tias paternas que tocavam cavaquinho e bandolim; a mãe, Dona Hebe, tocava estudos de piano e canções italianas. Estava traçado.

Sob as bençãos da Mata Atlântica que cercava a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, o menino Tavinho cresceu respirando e se inspirando na natureza exuberante do lugar. E apesar de sua cidade natal ter fama de carregar nela a "carioquice" comum das divisas com o Rio de Janeiro, foi na “mineiridade” que Tavinho Moura consolidou seus muitos talentos. Primeiramente a música - onde se tornou um dos nomes do movimento Clube da Esquina - e mais tarde a literatura.

Sua obra é principalmente composta por pesquisa e adaptação do folclore mineiro e brasileiro, como por exemplo em Calix Bento, adaptado da Folia de Reis, ou Peixinhos do Mar, uma canção tradicional de marujada. Lançou seu primeiro disco Como Vai Minha Aldeia em 1978 pela RCA.

Como compositor já foi gravado por Milton Nascimento, Sérgio Reis, Beto Guedes, Almir Sater, Boca Livre, Simone, Zizi Possi, Pena Branca & Xavantinho, 14 Bis, entre outros. Em 2014, seu disco Minhas Canções Inacabadas foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Regional ou de Raizes Brasileiras.